Poucas coisas em Insaciável são tão eficazes quanto a maneira como Natalie Erika James transforma o ato de comer em algo quase insuportável.
A câmera se aproxima da boca, o som amplifica cada mordida e aquilo que deveria sugerir prazer passa a carregar culpa, nojo e punição. É nesse contato entre comida, desejo e decomposição que o filme encontra um terror corporal incômodo, sustentado pela entrega de Midori Francis.
Só que essa força vai se diluindo conforme a história tenta acomodar pressão estética, transtorno alimentar, culpa familiar, desejo reprimido, pílulas emagrecedoras e uma assombração de regras pouco claras. Em vez de aprofundar Hana, o roteiro parece empilhar novas formas de explicar o que ela representa.
O resultado ainda incomoda, mas quase sempre mais pela imagem e pelo conceito do que pela personagem. Havia aqui um filme mais íntimo e perturbador sobre a violência de querer escapar do próprio corpo; Insaciável acaba soterrando essa ideia sob metáforas demais.
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