Sabe aquele filme de terror que chama atenção logo de cara por causa de um conceito diferente? POV: Presença Oculta entra exatamente nessa categoria. A curiosidade surge antes mesmo da história começar de verdade, muito por causa da proposta de acompanhar tudo através das câmeras corporais de dois policiais.
A ideia parte do found footage, aquele formato que simula gravações “reais”, mas aqui com um detalhe interessante. Em vez de câmeras domésticas ou celulares, acompanhamos a ação pelas bodycams dos policiais. Eles são chamados para atender uma briga doméstica que termina em tiroteio e, na tentativa de esconder as provas do que aconteceu, acabam entrando em uma espiral de medo e paranoia. Aos poucos surge a sensação de que algo está observando tudo, e que existe algo muito pior do que simplesmente lidar com as consequências do crime que cometeram.
Esse ponto de vista ajuda o filme a criar uma sensação de claustrofobia. Como estamos sempre presos ao olhar dos policiais, tudo parece mais próximo, mais sufocante. A ambientação funciona em alguns momentos e cria tensão. O problema é que essa tensão raramente cresce de forma natural. Em vez de construir o medo aos poucos, o filme muitas vezes aposta em acontecimentos bruscos, que surgem sem preparação e quebram a sensação de ameaça que poderia ser mais forte.
A história tenta se apoiar em um ritual que serve como base para explicar o que está acontecendo. Só que tanto esse ritual quanto a própria presença que persegue os personagens recebem muito pouco desenvolvimento. O filme apresenta a ideia, mas não se aprofunda nela. Com isso, boa parte da narrativa acaba girando em torno das mesmas situações: os policiais tentando entender o que está acontecendo, fugindo, discutindo e voltando para o mesmo tipo de confronto.
Essa repetição enfraquece o impacto do final. Quando chega o momento da revelação, falta preparação para que aquilo realmente funcione. A aparição da criatura que deveria representar o grande horror acaba parecendo mais estranha do que assustadora. O visual pouco convincente tira ainda mais a força da cena e transforma um momento que deveria causar medo em algo que beira o constrangimento.
O mais curioso é que o filme também tenta incluir uma crítica à violência policial nos Estados Unidos. A ideia até faz sentido dentro da premissa, já que tudo começa com um abuso de poder e uma tentativa de encobrir o crime. Mas a forma como isso é colocado na história não funciona muito bem. Em vez de deixar a situação falar por si, o roteiro faz questão de explicar o que quer criticar, e isso acaba deixando tudo mais artificial.
No fim das contas, POV: Presença Oculta é um daqueles filmes que despertam curiosidade pelo conceito. A ideia de acompanhar um terror sobrenatural através de câmeras policiais realmente tem potencial. Só que o filme nunca consegue transformar essa boa premissa em uma história que se sustente. O conceito chama atenção no começo, mas sozinho não consegue carregar o resto da narrativa.