Belén: Uma História de Injustiça
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Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

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3,5
Enviada em 20 de agosto de 2026
Belén- uma história de injustiça é um filme de drama argentino que contou com a direção e roteiro de Dolores Fonzi. O filme foi escolhido para representar a Argentina na corrida do Oscar, mas nao entrou na disputa. Na trama, acompanhamos Julieta (Camila Plaate), que é hospitlaizada as pressas com fortes dores no abdômen. Porém, de forma injusta, a jovem é acusada por infanticídio, e acaba sendo presa. Além disso, ela e sua família sofre com acusações de uma sociedade do Norte argentino extremamente conservadora. A sua esperança recai na advogada Soledad ( Dolores Fonzi) que fará de tudo para inocentar Julieta. O longa é inspirado num caso verídico que mobilizou a Argentina sobre os direitos das mulheres frente ao aborto. Caso esse que ocorreu por volta de 2014. É interessante pensar que o filme vai além da questão do direito ao aborto, mas toca no poder judiciário, que em sua maioria é composta por homens, e por consequência possuem diretrizes vinculado ao patriarcado. Caso nao exista pressão da sociedade, de quem está sofrendo tais consequências, não haverá mudanças. O filme deixa essa mensagem em seu final. Mas até chegar, percebemos que além de Julieta ( é a que mais sofre) sofrer diante do sistema jurídico e tbm da sociedade no geral, Soledad, a sua advogada tbm. Com sua família sendo ameaçada, casa sendo depredada, carro pixado e por aí vai. Outro ponto que merece destaque, é que Soledad é uma pessoa religiosa, inclusiva existe cenas defendendo a existência de Deus com sua filha adolescente questionando o divino. Isso acaba tirando o esteriótipo religioso e conservador. No sentido de que todos os religioso precisam fechar os olhos para as injustiças dos homens perante um Deus. Falando de direção, podemos dizer que foi acertada a decisão de deixar claro que ao colocar o nome Belen para esconder a identificação da vítima, o movimento ganha corpo e coletiviza. O visual do filme tbm é acertado, mostrando a fragilidade social de Julieta, os tons escuros do hospital e da cadeia, como sendo lugares de aprisionamento da mesma. O desenvolvimento do roteiro é bom pq nao fica apenas preso em uma história de tribunal, mas mostra nao apenas a aflição de Julieta, mas a de Soledad. Talvez tenha faltando o filme mostrar mais como foi as manifestações quando ganharam uma repercussão nacional. Vale lembrar que nao podemos atribuir a lentidão dos processos para o julgamento final e da conclusão do caso, isso foi feito propositadamente para deixar massivo e massacrante uma situação verídica. A boa saída do roteiro foi focar mais nas consequências para a advogada. O filme tem una importância ao denunciar o que já escrevi acima, mas sobretudo nao cai no excessos de discursos políticos ou de criar polêmicas sobre o aborto. Filme muito competente e creio que tenha sido o melhor filme argentino de 2025.
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