O Último Azul
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3,4
117 notas

28 Críticas do usuário

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NerdCall
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59 seguidores 473 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 24 de agosto de 2025
O cinema brasileiro abriu 2025 com um impacto raro de se ver: “O Último Azul”, novo longa de Gabriel Mascaro, chega carregado de expectativa após conquistar o Urso de Prata no Festival de Berlim e se tornar um dos nomes mais comentados da temporada. O prêmio, somado ao sucesso recente de Ainda Estou Aqui no Oscar, colocou novamente os holofotes internacionais sobre o Brasil, gerando entusiasmo em torno da possibilidade de vermos o país figurar com força na próxima temporada de premiações. Mais do que um símbolo de prestígio, o filme representa a ousadia de um cinema que se arrisca em temáticas pouco exploradas, evitando fórmulas prontas e apostando em narrativas que unem reflexão social e imaginação criativa.

A maior virtude de O Último Azul é a forma como abraça o envelhecimento como tema central, mas não pelo viés do clichê. Seria fácil transformar sua protagonista em uma senhora frágil, presa a imagens tradicionais de avós ou a dramas sobre doenças terminais. Mascaro, ao contrário, transforma a velhice em motor de liberdade, construindo uma metáfora poderosa sobre o direito de viver intensamente em qualquer idade. O pano de fundo distópico só amplia essa reflexão: em um futuro próximo, idosos que chegam aos 75 anos são obrigados a se retirar para colônias habitacionais, supostamente para não se tornarem um fardo para os mais jovens. Essa ideia, que poderia soar absurda, ganha força porque dialoga diretamente com a forma como a sociedade contemporânea encara a terceira idade – muitas vezes vista como peso, descartada ou invisibilizada.

A protagonista Tereza, interpretada com maestria por Denise Weinberg, recusa-se a aceitar esse destino imposto. Seu inconformismo dá corpo a uma narrativa que denuncia não apenas o controle autoritário de um Estado distópico, mas também uma lógica social muito real: trabalhamos a vida inteira e, quando finalmente poderíamos descansar, somos tratados como descartáveis. O que poderia ser lido como ficção científica pura, na verdade, carrega ecos dolorosamente familiares, e é nesse ponto que o filme ganha potência.

Mascaro divide o roteiro com Tibério Azul, e juntos eles constroem um universo que mistura crítica social, distopia e poesia visual. Diferente de tantos títulos nacionais que se acomodam em comédias ou cinebiografias, aqui temos um filme que não teme ousar, apostando em uma ficção científica ambientada na Amazônia. Esse detalhe não é gratuito: o rio, os cenários e a natureza funcionam como símbolos de liberdade e de fluxo contínuo, em contraste com o aprisionamento das regras estatais. Há algo quase mágico na forma como a paisagem se transforma em metáfora da busca da protagonista.

Do ponto de vista estético, dois elementos se destacam. O primeiro é a fotografia de Guillermo Garza, que se torna quase uma personagem própria dentro da trama. Os tons pastéis e desbotados que marcam o início do filme refletem a vida monótona e controlada de Tereza. Conforme ela embarca em sua jornada, as cores ganham saturação, revelando vitalidade e esperança. Garza constrói imagens que não apenas ilustram a narrativa, mas dialogam diretamente com os estados de espírito da personagem. Em certos momentos, a fotografia rouba a cena: uma conversa entre Tereza e uma amiga mais otimista, por exemplo, é marcada pela presença de um quadro vibrante atrás da amiga, enquanto o fundo da protagonista é apagado, salvo por um facho de luz tímido, sinalizando que ainda existe esperança. É um recurso simples, mas de grande força simbólica. Não à toa, alguns enquadramentos chegam a lembrar a estilização de Wes Anderson, sem, no entanto, perder a identidade própria.

O segundo ponto é a trilha sonora de Memo Guerra, que poderia seguir o caminho óbvio de valorizar sons amazônicos ou músicas regionais, mas vai além disso. A música não ilustra o ambiente; ela acompanha Tereza, quase como se fosse sua confidente, traduzindo suas angústias e sua busca pela liberdade. É uma trilha que se mistura à distopia e ao lirismo do longa, intensificando as emoções sem cair no exagero.

No elenco, o brilho maior é de Denise Weinberg, que entrega uma performance magnética. Aos 70 anos, a atriz mostra vigor e sensibilidade ao compor uma personagem que não nega a velhice, mas também não se resume a ela. É um trabalho de nuances: olhares, silêncios, pequenos gestos que revelam tanto resistência quanto vulnerabilidade. Denise carrega o filme com firmeza, mas em alguns momentos o protagonismo é temporariamente desviado. Isso acontece quando Rodrigo Santoro, no papel de Cadu, surge em cena. Apesar de aparecer por pouco tempo, sua presença é tão marcante que quase desequilibra a narrativa, criando a impressão de que a história poderia mudar de foco. Não chega a comprometer o todo, mas gera um contraste que enfraquece momentaneamente a centralidade da protagonista.

Outro ponto que poderia ter sido mais explorado é o conceito das colônias habitacionais. Elas são mencionadas com frequência e funcionam como ameaça constante, mas nunca chegam a ser realmente mostradas. Esse detalhe não chega a inviabilizar a proposta, mas limita a sensação de urgência da trama. Se víssemos ao menos fragmentos desse espaço, a fuga de Tereza talvez ganhasse ainda mais peso dramático. Além disso, no terceiro ato, o filme abre mão da sutileza que o guiava até então, optando por simbolismos mais explícitos e cenas que verbalizam o que antes era sugerido. Essa mudança de tom enfraquece um pouco o impacto final, mas não anula a força da jornada.

Apesar desses deslizes, o saldo de O Último Azul é extremamente positivo. Trata-se de um filme belo, inventivo e necessário, que não apenas reafirma a vitalidade do cinema brasileiro, mas também amplia seus horizontes ao abraçar a ficção científica como ferramenta de crítica social. É um longa que nos lembra de que envelhecer não é sinônimo de apagamento, e que a liberdade é um direito a ser buscado em qualquer fase da vida.

Denise Weinberg entrega uma das atuações mais marcantes de sua carreira; Rodrigo Santoro adiciona intensidade, mesmo em poucos minutos; a fotografia e a trilha sonora constroem uma atmosfera única; e Gabriel Mascaro assina uma obra que se impõe como uma das mais relevantes do ano. Se o Brasil precisa de um representante forte para o Oscar, “O Último Azul” tem todos os elementos para assumir esse papel. Mais do que isso: é um convite para que continuemos apostando em narrativas que ousam sair do óbvio, que questionam e que emocionam.

Em um tempo em que tantos enxergam a velhice como limite, o filme nos lembra que ela pode ser, na verdade, o início de uma nova forma de liberdade.
Isabelle
Isabelle

15 seguidores 67 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 31 de agosto de 2025
Parece incoerente dizer que uma ficção distópica ambientada em uma Amazônia majestosa apela para lugares comuns em excesso. Pois foi essa a minha impressão: mesmo imaginando incontáveis desafios de filmagem, parece que as escolhas foram sempre as mais fáceis: as faces surpreendentes do mundo amazônico, a reveladora gosma azul, a denúncia do abandono dos idosos e Rosa dos Ventos dando o tom épico ao final. A atriz e sua personagem valem o filme. Mas acho que é só isso...
Luciano Soares
Luciano Soares

6 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 30 de agosto de 2025
A princípio, imaginava um filme do tipo apocalíptico ou futurista, afinal, tem uma temática que fala que é proibido envelhecer e tal. O filme se passa na região amazônica do Brasil, e consegue prender nossa atenção (pelo menos isso é um bom sinal), com bons diálogos e com a personagem central, que acaba sendo o destaque do filme. O filme tem poucos atores atuando e um baixo orçamento. Tem como chamariz principal, o Rodrigo Santoro numa participação pequena, mas sempre se destaca pela sua atuação. Se não for assistir, nada estará perdendo, mas se for assistir, pelo menos um bom passatempo com um enredo que até hoje no mundo, não vi um governo fazer igual ao proposto no filme em relação a população idosa.
Mônica Costa
Mônica Costa

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 31 de agosto de 2025
Muito bom ver o cinema brasileiro tão pungente, forte, cheio de si. Em fotografia, elenco, roteiro e direção. Que montagem! E que final! Bethania dourando o Azul. O último azul!! Bravo!!!
Na Real
Na Real

1 crítica Seguir usuário

2,0
Enviada em 30 de agosto de 2025
sensibiliza, apenas sublima, ou esconde na selva. Se manifesta através de caricaturas para dar contorno a questões profundas que vem com a maturidade, mas que não são plenamente vividas, dando um aspecto dissimulado ao filme que se agrava com diálogos dublados e prolongados, sempre com algum texto a mais. A única personagem que mostrou a alma foi a de Miriam Socarras (Roberta), enquanto Rodrigo Santoro encarna o Louco da Turma da Mônica. Já Denise Weinberg parece ter sido roboticamente fiel ao que a direção propunha, e isso lhe dá algum mérito.

Em retrospecto, sai como uma versão enrugada de Boi Neon, com reminiscências de Amor Divino. Algo de plástico resiste na estética do autor, além da narrativa errante e cadência tediosa.

O ponto alto do filme é a cena dos peixes. A fotografia, aliás, contribui com arroubos contemplativos, sem ela o filme possivelmente não pararia em pé. Pena que o aspect ratio mais quadrado não nos deixa esquecer que vivemos num mundo mobile first.

É preciso comparar O Último Azul com O Último Suspiro de Costa-Gavras, que foi traduzido no Brasil como Uma Bela Vida, e também em cartaz. Enquanto o último Último faz um mergulho profundo e sincero sobre o envelhecimento e a morte, o de Mascaro é a versão ESG de uma indústria cinematográfica que opera em cima de targets de mercado, checklists, lobbies engajados e acenos para as militâncias.
Leandro Batista Rodrigues
Leandro Batista Rodrigues

1 crítica Seguir usuário

0,5
Enviada em 20 de setembro de 2025
O filme é uma crítica ao governo capitalista, mas com princípios absolutos nos governos comunistas. Já deu no saco esse tipo de filme.
Cli A
Cli A

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 16 de setembro de 2025
Melhor filme assisitido no ano. O diretor é simplesmente mágico ao conseguir deixar o rude e o simples, ilusionalmente bonito, poético e riquíssimo. A personagem principal - a atriz simplesmente arrasa no papel - cresce exponencialmente juntamente com a história, que se passa dentro de uma fotografia maravilhosamente hipnótica. Cenas de violência se tornam poéticas e cenas de alegria, festa e torcida, rudes... tem que ser especial para conseguir colocar em um filme tamanha disparidade, sem exageros, só realidades. AMEEEEEI!!!
Pedrocccunha
Pedrocccunha

6 críticas Seguir usuário

3,0
Enviada em 13 de setembro de 2025
Filme com roteiro original e proposta interesse, vários elementos contribuem para tal, iniciar pela otima atuacao da atriz principal. Falta porem ritmo e um final mais amarrado para ser de fato ótimo como está se dizendo por aí...
Kronrj
Kronrj

3 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 15 de outubro de 2025
O filme é cheio de metáforas. O sonho da protagonista (não vou dar spoiller) é uma grande metáfora. Ela queria enxergar o mundo sob outra perspectiva, de um ponto físico diferente, mas descobre que existe um mundo desconhecido bem próximo dela. Creio que todos imaginavam um final estadunidense clássico, onde ela conseguiria realizar seu sonho. O filme trata de uma jornada e da transformação que ocorre ao longo do caminho.
Ricardo L.
Ricardo L.

63.286 seguidores 3.227 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 8 de março de 2026
Bom filme com Rodrigo Santaro, sem protagonismo , numa história que começa muito bem, mas que finaliza de uma forma não tão interessante.
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