Uma comédia repleta de amor, risos, emoções e poesia com velhos e novos bandidos.
O intuito de uma comédia é, a princípio, nos fazer rir. Mas Os Velhos Bandidos, apesar de ser um filme onde o espectador se pega torcendo pelos simpáticos ladrões e criminosos, ao final, nos passa uma imagem ou lição real de justiça e rebeldia contra um já conhecido sistema corrupto e injusto. Lembre-se que a injustiça é a antítese ou o reverso da justiça! E como não se emocionar (e ao mesmo tempo, rir) com a poesia e candura da velha e renomada atriz Fernanda Montenegro (96 anos), a maior diva das artes cênicas do Brasil? Ela está, como sempre, sempre magnífica neste filme, assim como seu coadjuvante, o também excelente ator Ary Fontoura (93 anos). Em contraponto aos casal de velhos protagonistas, a jovem dupla Vladimir Brichta e Bruna Marquezine também arrasam e divertem como Sid e Nancy, nomes que remetem a uma outra dupla, desta vez Punk, dos anos 1970: os trágicos e auto-destrutivos Sid Vicious e Nancy Spungen. Porém aqui, os velhos e novos bandidos "se podem curtir numa boa" como dizia aquela antiga canção do Caetano.
Mas a grande arte deste filme é a direção segura e competente de Cláudio Torres, que também é co-autor do divertido roteiro. Aliás, Cláudio é filho de Dona Fernanda e de Fernando Torres, grande ator e diretor — e como diz o velho ditado, "o fruto nunca cai longe da árvore". Ou filho de peixe, peixinho é. Aliás, Cláudio é irmão de Fernanda Torres, outra diva e orgulho nacional, concorrente ao Oscar de Melhor Atriz em 2025 em "Ainda Estou Aqui". Que família talentosa é esta? O que será que eles consomem em suas refeições familiares? Parafraseando Rob Reiner, em Harry and Sally(1989), "também quero esse prato que eles comem".
Além dos nomes citados acima, o filme traz antigos atores brasileiros em papéis secundários porém excelentes, como Tony Tornado, Vera Fischer, Hamilton Vaz Pereira, Teca Pereira, Nathalia Timberg e Reginaldo Farias. A ressaltar também a produção impecável da Conspiração Filmes.
Se você quer rir, mas também se emocionar, veja este filme. Recomendo também outros filmes e roteiros de Cláudio Torres, como O Redentor (2004), O Homem do Futuro (2011) e A Mulher Invisível (2009) — o original, porque já foram feitos três remakes internacionais desta divertida comédia de costumes. Aliás, já consigo prever ou imaginar esse filme inspirando remakes em outros países e em várias línguas, apesar de ser um de temática, inspiração e sabor bem brasileiro. Parabéns aos profissionais envolvidos!
Nota Dez!