Sinopse:
Dé é um adolescente negro da periferia do Rio de Janeiro que descobre que sua avó está na fase terminal da doença de Alzheimer. Ele tem a ajuda de seus dois melhores amigos para enfrentar o mundo e aproveitar os últimos dias de vida da mulher.
Crítica:
"Kasa Branca" traz à tela uma história comovente que toca em temas de amor, solidariedade e os desafios enfrentados por muitos na periferia do Rio de Janeiro. A narrativa segue Dé e seus amigos que se esforçam para proporcionar a Dona Almerinda, a avó de Dé, momentos de prazer em meio ao sofrimento causado pela doença de Alzheimer. No entanto, apesar da sutileza nas atuações e na capacidade do filme em gerar empatia, existem aspectos que podem ser aprimorados.
A premissa do filme é poderosa, e é admirável a forma como a amizade entre os personagens serve de apoio e alicerce nos momentos difíceis. Contudo, a estrutura narrativa carece de uma maior fluidez, que poderia permitir que o espectador se conectasse mais profundamente com as experiências e emoções dos personagens. Em várias partes, a sequência de eventos parece desarticulada, criando uma sensação de fragmentação que pode dificultar a imersão total na história.
Além disso, algumas cenas que com o potencial de serem profundamente tocantes são abordadas de maneira apressada ou com transições abruptas, resultando em impactos emocionais que poderiam ter sido mais bem aproveitados. O espectador, que entra na sala de cinema esperando uma jornada de autodescobrimento e de enfrentamento à adversidade, pode se sentir perdido em alguns momentos, como se a narrativa tivesse tomado desvios inesperados.
Por outro lado, a cinematografia é um ponto forte, conseguindo capturar a essência da cultura local e a beleza das relações humanas em meio ao caos. As paisagens da Chatuba, imortalizadas na tela, servem como um testemunho visual do calor e da luta da vida cotidiana.
Além disso, a atuação de Big Jaum é digna de destaque, trazendo um Dé autêntico e vulnerável, que reflete as expectativas e pressões que jovens da periferia enfrentam. Os coadjuvantes também entregam performances sólidas, representando a diversidade e a riqueza emocional da comunidade.
Em suma, embora "Kasa Branca" consiga provocar reflexões importantes sobre a convivência com a doença, a importância da amizade e a luta por dignidade, sua execução narrativa deixa a desejar em alguns pontos. Com um ritmo mais ajustado e uma construção de roteiro mais coesa, o filme poderia ter explorado seu potencial dramático de forma mais eficaz, transformando seu impacto emocional em uma experiência verdadeiramente marcante. A história de Dé e sua avó é sem dúvida relevante, e merece um tratamento que esteja à altura do seu tocante enredo.