Marty Supreme é um filme apoiado na loucura de seu diretor, que não tem medo de arriscar e expor seus personagens. Ele apresenta um protagonista psicologicamente detestável: arrogante, narcisista, o tipo de pessoa que sempre prejudica os outros enquanto tenta vender a ideia de que é admirável. A proposta não é exatamente comprada pelo público — e o distanciamento que sentimos de Marty só prova que ele funciona muito bem dentro da narrativa.
O “caso” romântico também acompanha essa lógica: uma aspirante ao narcisismo e à egolatria que embarca, em certos momentos, numa jornada de caos, abismo e descompromisso. O filme tem atos bem definidos, entretém bastante e, curiosamente, consegue até fazer o tênis de mesa parecer envolvente. Não é nada como Rocky, mas é divertido — queremos sempre ver mais. Não torcemos por Marty, mas queremos assistir à sua loucura.
Timothée Chalamet está muito bem no filme, assim como Odessa A'zion; os dois formam um casal com uma química quase radioativa.
A trilha sonora, apesar de boa, é confusa e prejudica um pouco a imersão — músicas pop dos anos 80 em um filme ambientado nos anos 1950 quebram parte da ambientação. Em compensação, a edição é muito boa, a fotografia acinzentada agrada, e o design de produção, apesar de um certo “excesso de informação”, funciona bem. Adoro a introdução, mas não gosto do final piegas, que destoa do que vinha sendo construído.
O filme surpreende, principalmente por eu não esperar muito de uma cinebiografia sobre um jogador de tênis de mesa. Ainda assim, não é tudo isso que parte da crítica vem exaltando.
7,5/10