Oeste Outra Vez
Média
3,5
39 notas

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Ricardo L.
Ricardo L.

63.287 seguidores 3.227 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 21 de julho de 2025
Muito bom filme nacional com um elenco ótimo e um roteiro muito bem inscrito! Ótima trilha sonora e edição caprichada! Vale a pena conferir.
Aecio Carvalho
Aecio Carvalho

1 seguidor 2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de abril de 2025
Filme "Oeste Outra Vez” (Brasil 2024): a mulher escolhe… os homens se matam…
Oeste Outra Vez se passa num sertão ressecado pela ausência do feminino e pela banalização da morte. Capangas pedem “licença” educadamente antes de puxar o gatilho. Alguns até pedem desculpas. É a banalidade do mal com sotaque do interior: cordial, seca, caipira. Matar não é um dilema ético. É uma grande oportunidade de profissão a conquistar para aqueles que vivem na carência de oportunidades do interior goiano. Cumpre-se uma ordem com responsabilidade, como quem tem o negócio contratado e precisa zelar pela valiosa reputação e fama de um bom pistoleiro.
Nesse universo de homens endurecidos, a presença feminina é marcada pela falta — ela aparece uma única vez, mas sua ausência funda toda a tragédia. A mulher desce do carro e vai embora. É muito feminina e anda como mulher. Não lembro se chega a ser nomeada, mas é ela que estrutura todo o drama. Ela já escolheu — e é justamente por isso que existe a briga. Não é uma mulher indecisa. Não é uma mulher sem rumo. Ela simplesmente se retirou da briga, não fica pra assistir, porque está tranquila na sua decisão.
Mas isso é insuportável para alguns homens. Eles não conseguem aceitar que não foram escolhidos. E então, nesse filme, ainda não escolhem matar a mulher, mas decidem matar o escolhido. A mulher continua viva, mas seu desejo — ou melhor, o objeto do seu desejo — deve ser assassinado.
Esse gesto revela muito da estrutura psíquica em jogo: a mulher não é vista como sujeito que deseja, mas como propriedade roubada. O outro homem é acusado de ter “roubado” a mulher, mas o pistoleiro questiona: como se pode roubar uma mulher? Ao mesmo tempo, só existe um jeito de “reaver” a mulher: matando o rival. Porque ela não escolheu, ela foi “seduzida”. É a fantasia masculina e alucinação negativa da capacidade de escolha feminina que sustenta o crime.
Ao matar o escolhido, mata-se a escolha. Já que não se quer matar a mulher — e o diretor, inclusive, opta por não narrar um feminicídio —, mata-se o objeto da escolha. O homem não suporta o desejo da mulher por outro. Então é mais fácil matar o rival do que aceitar que perdeu. Essa é uma forma de preservar a própria honra diante dos outros homens. Porque o orgulho está ferido, e os outros estão vendo. Assim como no feminicídio, mata-se para se afirmar, para reagir, para restaurar uma imagem.
A mulher não é reconhecida como um sujeito desejante, mas um objeto de disputa. Ela não escolhe com quem quer ficar — e nem pode escolher ficar sozinha. Só lhe resta ficar com quem a toma ou com quem já a possui. A mulher não se basta: ela precisa de um homem pra existir. Mas, no fundo, é o homem que não se basta. É ele que não consegue suportar a ideia de viver sem aquela mulher. A trama revela, assim, uma projeção do sentimento masculino de incompletude.
Se o homem escolhe matar o rival, é porque ainda alimenta a fantasia de que a mulher não escolheu. Ela teria sido seduzida, enganada, roubada — nunca desejante. Nesse gesto, a mulher não é reconhecida como sujeito, mas como posse extraviada. O homicídio, nesse caso, é anterior ao feminicídio: ele ainda tenta preservar a ilusão de que o desejo feminino não existe. Já o feminicídio surge quando essa ilusão entra em colapso — quando cai a ficha: ela não quer mais, foi embora, não volta. Aí, ela deixa de ser objeto disputado e vira sujeito da escolha. E é exatamente por isso que deve ser eliminada: porque ousou desejar por conta própria. O feminicídio, então, é a reação violenta à autonomia feminina — quando o homem já não pode mais negar que perdeu, nem suportar que ela tenha se libertado. Mata-se o rival porque se sustenta a fantasia de que a mulher foi levada. Mata-se a mulher, porque já não havia como negar que foi ela quem escolheu partir. O feminicida, por mais brutal que seja, está um passo mais próximo de reconhecer a alteridade da mulher — ainda que essa alteridade seja insuportavel para ele.
A lógica infantil do Édipo também se faz presente: a criança que acha que só existe um primeiro lugar. E que esse lugar pertence ao pai. Então, para ocupar esse lugar, é preciso matar o pai. O drama só se dissolve quando se percebe que há outros lugares possíveis, outras mulheres além da mãe. Mas para alguns, essa transição nunca acontece. O objeto da pulsão se fixa, como dizia Freud, e o sujeito se enreda num desejo infantil: “só posso amar aquela”. O rival vira um obstáculo insuportável. E aí o amor não é mais caminho: virou um campo minado.
A estrutura patriarcal reforça isso. No patriarcado, um homem tem uma mulher. Ou várias. Mas o inverso — uma mulher ter vários homens, ou simplesmente escolher com quem quer ficar — é um escândalo. Numa sociedade matriarcal, essa briga nem aconteceria. Porque a mulher poderia escolher, poderia circular, poderia ir e vir. Mas aqui, ela é vista como posse. Como território disputado.
No fim, Oeste Outra Vez mostra que amar é perigoso. Mas matar... matar é um serviço necessário. Um jeito de restaurar a ordem das coisas, como se o amor feminino tivesse bagunçado tudo. O filme ri disso, mas o riso é seco. Porque o que está em jogo é uma tragédia real: a dificuldade de reconhecer e aceitar a liberdade do outro. Especialmente quando esse outro é uma mulher que já escolheu — e que não volta atrás. Enquanto isso, os homens são retratados em cena apenas convivendo com outros homens.
Aécio Fernandes de Carvalho, psicólogo formado pelo IP-USP
Mauricio Xavier
Mauricio Xavier

9 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 1 de abril de 2025
Qdo uma narrativa e ambiente possivelmente comum se encontram com um cinema leve, apesar da tensão do tema.
JRusso
JRusso

69 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 26 de dezembro de 2025
O curioso western de Erico Rassi é majoritariamente masculino, alcoólatra e deprimido. Mulher neste filme raramente aparece, mas está sempre por trás das atitudes dos homens, seja em atos de vingança ou por isolamento social. Design de produção busca sempre mostrar esses homens muito sujos e em ambiente de insalubridade (seria um elogio às mulheres e a consequência ao que acontece com os homens sem sua presença?), com paisagens árida e empoeirada. Elenco competente e bons diálogos.
Professor N
Professor N

1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 12 de abril de 2025
Muito bom. Árido e sutil. Reflexão atual sobre as raízes profundas da cultura ocidental. A masculinidade nua. Roteiro bom.
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 881 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 11 de março de 2026
Oeste outra vez é um filme de faroeste e drama nacional, que contou com a direção e roteiro Erico Rassi. A trama se passa no interior de Goiás e acompanhamos Totó (Ângelo Antônio), que é largado pela sua mulher por Durval (Babu Santana). Porém, Totó contrata um velho matador experiente chamado Jerominho (Rodger Rogério) para matar Durval. O plano sai errado e Durval contrata um dupla de matadores para matar ambos. Por mais genérico e simplista a premissa da trama seja, aqui temos a demonstração da fragilidade do homem e de como sao incapazes de lhe dar com o fim dos seus relacionamentos. O uso do gênero faroeste a moda brasileira, ajudou no sentido de deixar o filme mais violentos. Por outro lado, os diálogos sao poucos e simples, mas riquíssimos. Carregados de sabedoria. Aqui temos um trabalho requintado da direção ao mostrar os diversos tipos de arquétipo masculino: o "bonzinho", o violento, o mentiroso , o vingativo etc. Todos eles passaram se alguma forma por um abandono de suas amadas, mas todos acabam desenrolando para algum tipo de violência. Mostrar a violência sob um vies de como os homens sao incapazes ( ou quase sempre) de desabafar e dizer o que sentem é o ponto alto do filme. Além de nao ficar preso apenas nos ressentimentos de Durval e Totó, a narrativa explora de forma sutil a densidade de alguns personagens secundários. Não atoa que todo o seu elenco é masculino.
Maria Alice Félix
Maria Alice Félix

22 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 2 de janeiro de 2026
Excelente filme brasileiro. Merece reconhecimento internacional.
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