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Adriano Côrtes Santos
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1.229 críticas
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4,5
Enviada em 11 de dezembro de 2024
Marcelo Caetano entrega em Baby um drama intenso e sensível, centrado em Wellington, apelidado de "Baby", um jovem que enfrenta a solidão e a rejeição após sair de um reformatório juvenil. Ambientado nas ruas de São Paulo, o filme explora as fragilidades e lutas de Baby, destacando-se por sua narrativa emocional e atuações marcantes, especialmente de João Pedro Mariano e Ricardo Teodoro, premiado em Cannes.
Com uma abordagem crua e visualmente impactante, reforçada pela cinematografia de Joana Luz, o longa toca em temas como vulnerabilidade, aceitação e exclusão social, embora em alguns momentos recaia em clichês do gênero. Apesar disso, a obra emociona ao convidar o público a refletir sobre questões universais de pertencimento e sobrevivência, consolidando Marcelo Caetano como um diretor de histórias humanas e relevantes. Repetições narrativas evitam que ele seja completamente inovador, o que impede a nota máxima.
Marcelo Caetano demonstra sua sensibilidade em retratar as nuances da vida contemporânea brasileira em Baby. O roteiro, escrito com precisão e sutileza, mergulha profundamente na realidade de muitos jovens em busca de identidade, pertencimento e autonomia. A narrativa é genuína e comovente, explorando dilemas universais, mas com um olhar afiado sobre questões locais, como o impacto do ambiente urbano e da sexualidade no desenvolvimento individual.
O elenco, escolhido com maestria, brilha em cada cena. Os atores apresentam performances naturais e envolventes, criando uma química que sustenta a trama de forma autêntica. É evidente que a direção trabalhou para criar um espaço seguro para que cada ator explorasse seu papel com liberdade e verdade, o que eleva o impacto emocional do filme.
No entanto, um aspecto que poderia ser melhor desenvolvido é a forma como o cenário do centro de São Paulo é retratado. Embora a intenção de mostrar uma face decadente da cidade seja válida e contextualize parte da narrativa, a ausência de um equilíbrio na representação pode reforçar estereótipos. A ambientação apresenta um panorama quase exclusivamente sombrio, que acaba por generalizar a experiência da população LGBTQIA+ como intrinsecamente ligada à marginalização e ao abandono social.
Baby é um filme necessário e impactante, mas que se beneficiaria de uma visão mais plural do universo que aborda. Ainda assim, Marcelo Caetano consolida sua posição como um dos grandes cronistas das vidas periféricas e urbanas no Brasil, oferecendo ao público um retrato que, apesar das falhas, é poderoso e indispensável.
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