Mais de 30 filmes, 40 trabalhos na TV, fama internacional: Hoje, um dos maiores vilões das novelas completaria 95 anos
por Guilherme Rocha

Inesquecível como o cruel Leôncio de A Escrava Isaura, da Globo, Rubens de Falco consagrou-se como um dos grandes mestres da vilania na TV brasileira e levou seu talento a dezenas de países. O artista faleceu em 2008.

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Muito se fala sobre as vilãs das novelas, mas, se a televisão brasileira tivesse um hall da fama dedicado exclusivamente aos grandes vilões, Rubens de Falco da Costa seria, sem dúvida, um dos nomes mais importantes dessa categoria. Nascido em 19 de outubro de 1931, o ator paulistano completaria 95 anos nesta segunda-feira. Ele morreu em fevereiro de 2008, aos 76 anos, após sofrer uma embolia pulmonar, mas seu legado continua vivo.

Dono de um olhar penetrante, voz imponente e uma elegância inquestionável, Rubens não foi apenas um sucesso nacional. Graças ao alcance histórico de suas tramas, seu rosto se tornou familiar em dezenas de países, o que garantiu ao artista a realização de trabalhos em Portugal, Venezuela e Cuba, onde participou de algumas novelas e filmes.

O mestre da vilania na televisão

A carreira de Rubens de Falco começou no teatro, na década de 1950, e passou pelo cinema antes de o ator conquistar um lugar de destaque na televisão. Com trabalhos em diferentes emissoras brasileiras, ele encontrou em 1976 um dos papéis mais marcantes de sua trajetória: Leôncio Almeida, o cruel fazendeiro de Escrava Isaura, novela da TV Globo.

O personagem era obcecado por Isaura (Lucélia Santos), uma mulher escravizada que não correspondia aos seus sentimentos, e recorria a castigos e à violência para tentar submetê-la. Mesquinho e cruel, Leôncio se tornou um dos grandes vilões da teledramaturgia brasileira. A interpretação de Rubens foi tão marcante que ajudou a consolidar sua imagem como um dos atores mais associados a personagens antagonistas da televisão.

Dez anos depois, o ator voltou a interpretar um poderoso escravocrata em Sinhá Moça (1986). Na novela, ele viveu o Coronel José Ferreira, conhecido como Barão de Araruna, um homem autoritário e defensor intransigente da escravidão. Seu personagem entrava em conflito com a própria filha por causa dos ideais abolicionistas da jovem.

Mas o talento de Rubens não se limitava aos vilões de novelas de época. Em A Sucessora (1978), ele interpretou Roberto Steen, um rico viúvo cuja adoração pela primeira esposa falecida interfere no casamento com Marina (Susana Vieira). Já em O Astro (1977), deu vida a Samir Hayala, personagem ambicioso que desejava conquistar espaço nos negócios da família.

Paralelamente à televisão, Rubens construiu uma trajetória expressiva no cinema. Sua estreia nas telas aconteceu em 1952, com Appassionata, e, nos anos seguintes, ele participou de produções de diferentes gêneros. Entre os títulos de sua filmografia estão O Homem que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho, e Coronel Delmiro Gouveia (1978), além de Pixote: A Lei do Mais Fraco (1980), de Hector Babenco, no qual interpretou um juiz. Seu último trabalho cinematográfico foi Fim da Linha, lançado em 2008, após sua morte.

Curiosamente, a televisão reservou um desfecho simbólico para a carreira de Rubens. Em 2004, ele voltou ao universo que o consagrou ao integrar o elenco do remake de A Escrava Isaura, produzido pela Record. Dessa vez, aos 72 anos, interpretou o Comendador Almeida, pai de Leôncio, o vilão que havia marcado sua trajetória na versão original de 1976. Foi uma espécie de reencontro com um dos personagens mais emblemáticos de sua carreira!

Guilherme Rocha
-Subeditor TV
Fã incondicional de reality shows que poucos admitem assistir, novelas clássicas com vilãs que amamos odiar, além de séries que são o auge do entretenimento despreocupado.
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