Grant Morrison, roteirista de quadrinhos, sobre Lanternas: "Por que adotar uma abordagem tão austera em uma franquia que deveria competir com Star Trek ou Star Wars?"

Roteirista de algumas das histórias mais importantes da DC, Morrison critica a abordagem “pé no chão” da série e questiona a falta de grandiosidade da adaptação.

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Por Iris Dias

Grant Morrison não gostou de Lanternas. O roteirista — e uma das vozes mais respeitadas quando o assunto é o universo dos super-heróis — não escondeu sua decepção com a nova série da DC. O escocês, cujo trabalho serviu de inspiração recente tanto para Superman, de James Gunn, quanto para X-Men '97, admite que teve algumas ressalvas com a proposta mais “pé no chão” adotada pela produção, especialmente em relação a Hal Jordan.

Em sua newsletter, Morrison conta que acabou assistindo à série depois de criticar o que considerou uma rejeição gratuita à cor verde nos materiais de divulgação. E, depois de dois episódios, de fato ainda há pouco da tradicional estética esmeralda associada ao Lanterna Verde. Mas, para o roteirista, o problema vai além da ausência do verde: ele simplesmente não consegue reconhecer os personagens que conhece nos protagonistas da série.

Pouco verde — e pouco Lanterna Verde

“Achei que Kyle Chandler sustentou a série com sua excelente interpretação do Doutor McCoy, mas não era nenhum Hal Jordan que eu reconhecesse”, afirma Morrison, que, por outro lado, elogia o trabalho de Aaron Pierre.

O roteirista também faz elogios a Chandler, mas acredita que sua versão de Hal Jordan está muito mais próxima do personagem cínico que o ator interpretou em Star Trek do que de um membro da Tropa dos Lanternas Verdes. “De cara, vontade e bebida não combinam”, brinca.

Morrison também estranha a ausência do tradicional uniforme dos Lanternas. Mais do que isso, ele não entende a resistência de Hal Jordan em usá-lo, já que, em sua visão, “é o uniforme da organização para a qual Jordan trabalha e, assim como o azul da polícia, identifica sua afiliação e autoridade”.

"Por que fazer uma série de Lanterna Verde com orçamento reduzido?"

A observação faz bastante sentido quando lembramos que, em sua fase à frente de The Green Lantern, ao lado do desenhista Liam Sharp, Morrison explorou justamente essa ideia dos Lanternas como uma espécie de “polícia espacial”, além de recuperar o senso de maravilhamento que, para ele, sempre esteve no centro do personagem.

O roteirista entende que a ausência dos uniformes e a utilização mais limitada dos efeitos especiais provavelmente estão relacionadas às restrições orçamentárias da série. Ainda assim, ele não parece convencido de que essa seja uma boa escolha para uma franquia desse tamanho.

“A ausência dos uniformes e dos efeitos dos anéis era evidente, mas facilmente explicada pelas restrições orçamentárias e pelo desejo de criar alguma distância em relação ao fracasso do filme ‘Lanterna Verde’, de Ryan Reynolds. [...] Isso só nos leva a perguntar: por que fazer uma série de Lanterna Verde com orçamento reduzido? A DC tem muitos heróis mais realistas ou personagens com poderes de menor escala para escolher. Então, por que seguir esse caminho tão austero com uma franquia que deveria competir com Star Trek ou Star Wars?”

Uma crítica coerente com a visão de Morrison

É uma reflexão bastante característica de Grant Morrison, especialmente porque o roteirista costuma apostar, em seus trabalhos, em uma visão grandiosa dos super-heróis — principalmente os personagens da DC — tratando-os quase como deuses caminhando entre os seres humanos.

Independentemente dos defeitos, virtudes ou limitações de cada adaptação, Morrison costuma defender justamente essa sensação de grandeza e de maravilhamento. E, ao que tudo indica, é exatamente isso que ele sente falta em Lanternas.

Lanternas está disponível na HBO Max.

Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.
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