A repetição de nomes nas séries do universo de Game of Thrones sempre me confundiu, mas existe uma lógica por trás de tantos Aegons, Daerons e Viserys.
Se existe algo mais complicado do que seguir a árvore genealógica dos Targaryen em Game of Thrones, A Casa do Dragão e, agora, O Cavaleiro dos Sete Reinos, é tentar lembrar quem diabo é quem quando vários personagens têm exatamente o mesmo nome. Aegon é, sem dúvida, o caso mais extremo: nós o vimos em A Casa do Dragão, ele reapareceu em O Cavaleiro dos Sete Reinos e a 3ª temporada da série da HBO colocou novamente em pauta essa peculiar tradição familiar.
E não estamos falando de dois ou três Aegons: existem até onze Aegons no ramo principal dos Targaryen, e cinco deles foram reis. A explicação se deve à fascinação da família por Aegon, o Conquistador, mas também a uma tradição muito mais antiga e real: as famílias reais passam séculos reciclando nomes para manter viva a memória de seus antepassados.
É melhor ficar atento aos spoilers a seguir, pois haverá revelações do livro Fogo & Sangue e das séries do universo de Game of Thrones.
Uma obsessão bastante peculiar
A Casa Targaryen não parece ter grandes problemas na hora de repetir nomes geração após geração. No caso de Aegon, a tradição vem diretamente de Aegon, o Conquistador, o homem que unificou Westeros e criou boa parte do legado sobre o qual a dinastia foi construída. Portanto, parece lógico que seus descendentes quisessem manter seu nome vivo. O problema é que a família levou a tradição a extremos bastante confusos, espalhando Aegons por todos os lados.
Em A Casa do Dragão, temos Aegon II, filho de Viserys e Alicent, interpretado por Tom Glynn-Carney. Do outro lado da guerra civil, encontra-se outro Aegon, filho de Rhaenyra e Daemon, que posteriormente será coroado rei como Aegon III. Aqui temos uma das grandes ironias da história: Alicent chegou a interpretar as últimas palavras de Viserys como uma referência ao seu próprio filho, quando, na verdade, o rei moribundo estava falando sobre Aegon, o Conquistador. O mal-entendido acabou contribuindo para desencadear uma guerra civil que praticamente destruiu a dinastia.
Mas a coisa não para por aí. Ao todo, existem até onze pessoas chamadas Aegon no ramo principal da Casa Targaryen, e cinco delas chegaram a ocupar o Trono de Ferro. Entre eles está Aegon V, "o Improvável", a quem conhecemos como Egg em O Cavaleiro dos Sete Reinos. Também há Aegon, o Sem Coroa, que perdeu a coroa para seu tio Maegor, o Cruel. E, claro, existe o Aegon de quem muitos espectadores provavelmente não se lembram por esse nome: Jon Snow, cujo nome verdadeiro é Aegon Targaryen.
O caso de Jon é ainda mais curioso porque Rhaegar Targaryen já havia batizado outro de seus filhos como Aegon, o filho que teve com Elia Martell. Para Rhaegar, o nome estava ligado à sua crença de que seu filho seria o Príncipe Prometido. Ou seja: o mesmo homem teve dois filhos chamados Aegon. Quando se soma isso ao restante dos membros da dinastia, fica fácil entender por que as árvores genealógicas de Game of Thrones se tornam um verdadeiro pesadelo.
E Aegon nem sequer é o único nome reciclado pelos Targaryen. Na 3ª temporada de A Casa do Dragão, finalmente conhecemos Daeron Targaryen, conhecido historicamente como "Daeron, o Ousado", enquanto O Cavaleiro dos Sete Reinos nos apresentou a outro Daeron, "Daeron, o Bêbado". Também há vários Jaehaerys, Viserys e Aerys, nomes que aparecem repetidamente ao longo da história da família. Até mesmo Daenerys, que para muitos espectadores parece um nome criado especificamente para a protagonista de Game of Thrones, pertence a uma tradição anterior: a Daenerys vivida por Emilia Clarke é, na verdade, a terceira da dinastia.
Embora possa parecer uma decisão especialmente caótica de George R.R. Martin, na verdade tudo faz bastante sentido quando olhamos para a história real. O próprio Martin explicou essa tradição comparando-a com a monarquia britânica: "A história da Inglaterra é cheia de Henriques e Eduardos. De vez em quando, aparece um Ricardo". E é verdade: a Inglaterra teve oito reis chamados Henrique e Eduardo, seis chamados Jorge e quatro chamados Guilherme, enquanto outras monarquias também repetiram nomes ao longo dos séculos. Portugal teve seis reis chamados João, a Espanha teve seis chamados Felipe e o Brasil teve dois imperadores, ambos chamados Pedro.
Assim, embora distinguir entre Aegon II, Aegon III, Aegon IV e Aegon V possa parecer uma brincadeira de mau gosto dos Targaryen, a tradição de repetir nomes é provavelmente uma das coisas mais realistas de toda a saga.