A série da HBO Max mostra como o poder corrompe seus protagonistas. Ou melhor, essa foi a trama que nos fizeram engolir com Daenerys Targaryen.
Rhaenyra (Emma D'Arcy) acaba de fazer algo que nenhum Targaryen em sã consciência teria feito: gritar aos quatro ventos um dos maiores segredos de sua dinastia. House of the Dragon encerrou sua 3ª temporada com uma revelação que não apenas diz muito sobre o estado mental da protagonista, mas também deixa uma grande questão no ar sobre como tudo isso se encaixa em Game of Thrones.
Um segredo dos Targaryen
A profecia do Príncipe Prometido sempre foi um dos segredos mais bem guardados da família Targaryen. Segundo a visão de Aegon, o Conquistador, uma ameaça vinda do Norte acabaria colocando Westeros em perigo, e somente um Targaryen sentado no Trono de Ferro seria capaz de enfrentá-la.
O problema é que, no final da 3ª temporada, Rhaenyra decide usar essa informação para defender publicamente seu direito ao trono. Diante dos habitantes de Porto Real, ela apresenta a profecia como uma prova de que os Targaryen estão destinados a governar.
E é justamente aí que surge uma das grandes contradições deixadas pelo episódio final. Se Rhaenyra acabou de contar publicamente a um grupo de habitantes de Porto Real que existe uma ameaça sobrenatural vinda do Norte, como é possível que, quando os acontecimentos de Game of Thrones chegarem, praticamente ninguém conheça a existência dos Caminhantes Brancos ou leve a sério a chegada deles?
A série transformou um segredo familiar que, durante séculos, foi passado de um herdeiro para outro em uma informação que agora é conhecida por um grupo de plebeus. Mal posso esperar para descobrir se a 4ª temporada encontrará uma explicação para esse aparente furo de roteiro.
Nem sempre as profecias são claras
Mas talvez o mais importante nessa decisão não tenha tanto a ver com a continuidade de Game of Thrones, e sim com a própria Rhaenyra. A rainha chega ao final da desta temporada completamente sobrecarregada por tudo o que está acontecendo ao seu redor e passa a tomar decisões cada vez mais extremas.
O rompimento com Mysaria (Sonoya Mizuno), a maneira como trata Helaena (Phia Saban) e sua reação às notícias de Tumbleton mostram uma governante cada vez mais isolada, paranoica e desesperada para manter o poder. Usar a profecia diante de toda Porto Real parece ser mais um sinal dessa transformação.
Além disso, a série vem trabalhando há algum tempo com a ideia de que as profecias podem se transformar em uma armadilha. Os personagens acreditam conhecer o próprio destino, agem para cumpri-lo ou evitá-lo e acabam provocando justamente aquilo que queriam impedir.
No caso de Rhaenyra, a profecia que, durante gerações, serviu como justificativa para proteger o legado Targaryen pode acabar se tornando uma ferramenta capaz de acelerar sua própria queda. E isso combina perfeitamente com a visão trágica que House of the Dragon apresenta sobre o poder.
Por isso, a próxima temporada terá muito mais trabalho pela frente do que simplesmente resolver a guerra pelo Trono de Ferro. A série terá de mostrar até onde irá a queda de Rhaenyra e, ao mesmo tempo, decidir quais serão as consequências do fato de um dos maiores segredos dos Targaryen ter deixado de ser um segredo.
A profecia pode até se mostrar verdadeira, mas, em Westeros, isso nunca significa que as coisas vão acontecer da maneira que os personagens esperam. E, depois desse final, é difícil imaginar que o destino de Rhaenyra terá qualquer compaixão por ela.