Com praticamente nenhuma divulgação, The Pendragon Cycle: Rise Of The Merlin tornou-se uma das séries mais assistidas ao redor do mundo.
Costuma acontecer, mais frequentemente do que se imagina, de as grandes plataformas de streaming lançarem produções quase sem divulgação que, em pouco tempo, acabam figurando entre os títulos mais assistidos — pelo menos em alguns mercados.
É o caso daquela que parece ser a principal aposta do Prime Video para enfrentar o sucesso de A Casa do Dragão. E não, não estamos falando de A Roda do Tempo nem de Os Anéis de Poder!
Lançada no dia 26 de junho no catálogo da plataforma — com uma campanha de divulgação mais intensa por parte da distribuidora do que do próprio Prime Video —, The Pendragon Cycle: The Rise of the Merlin vem sendo apontada por muitos como uma espécie de "Game of Thrones cristã". A comparação surge tanto pela linha editorial dos responsáveis pela produção quanto pelo fato de a trama abordar, em parte, o processo de cristianização da Grã-Bretanha.
Druidas, atlantes e o Santo Graal
A minissérie de sete episódios é uma produção original do Daily Wire, veículo de mídia norte-americano conhecido por seu posicionamento conservador. Inclusive, seus dois fundadores, Jeremy Boreing e Ben Shapiro, assinam a produção da série, sendo Boreing também o criador e diretor da adaptação.
Por esse motivo, muitos espectadores se aproximaram da produção com certa desconfiança. No entanto, essa impressão tende a diminuir rapidamente, já que a série aposta em uma fantasia clássica, concentrando seus esforços em revisitar os mitos arturianos a partir dos romances escritos por Stephen R. Lawhead.
O elenco conta com Tom Sharp no papel de Merlin, Rose Reid como Charis, James Arden interpretando Taliesin e Emree Franklin vivendo Morgian, entre outros nomes. A história se passa na Britânia pós-romana e acompanha um lendário bardo e seu filho, que futuramente ficará conhecido como Merlin, em um período marcado pela ameaça da invasão saxônica e pela expansão do cristianismo na região.
O componente cristão — ou, pelo menos, inspirado em valores cristãos — é algo que Jeremy Boreing faz questão de destacar. O diretor chegou a comparar The Pendragon Cycle a Coração Valente nesse aspecto, mas ressalta que seu objetivo é se distanciar do tipo de produção normalmente associado a estúdios como a Angel Studios. Segundo ele, embora a série seja cristã, ela não deve ser vista como "entretenimento cristão".
"Ela carrega meu cristianismo e minhas ideias políticas"
"Não é esse o espaço em que quero atuar. Acho que The Pendragon Cycle é provavelmente a maior obra de entretenimento cristão voltada ao grande público desde Coração Valente, mas não é uma obra de entretenimento cristão. Eu diria que ela está repleta dos meus valores, mas não é didática. Ela carrega meu cristianismo e minhas ideias políticas, mas não é definida por isso."
As declarações foram interpretadas por parte do público como uma tentativa de separar a obra das convicções de seus criadores. No entanto, esse debate acabou gerando controvérsia durante o lançamento da série. Para muitos espectadores, uma coisa é separar o artista de sua obra; outra bem diferente é financiar, por meio da assinatura, uma plataforma como o DailyWire+, cujos posicionamentos ideológicos eles não compartilham.
Independentemente das discussões em torno da produção e de seus realizadores, a recepção da crítica especializada ficou longe de ser empolgante. Embora não tenha sido considerada um fracasso, The Pendragon Cycle: The Rise of the Merlin também não conseguiu se destacar de forma significativa nos principais agregadores e veículos especializados.