"Tudo girava em torno de um cara que nem ator era": Dirk Benedict confessa a guerra de egos nos bastidores de Esquadrão Classe A

Na tela, eles eram um grupo inseparável, mas por trás das câmeras havia uma ou outra desavença.

>
Por Giovanni Rodrigues

“Em 1972, um comando composto por quatro dos melhores homens do Exército Americano foi preso por um crime que não cometeu. Não demorou para que fugissem da prisão onde estavam reclusos. Hoje, ainda procurados pelo governo, sobrevivem como soldados da fortuna. Se você tem algum problema e se conseguir encontrá-los, talvez possa contratar o Esquadrão Classe A.”

Se você cresceu nos anos 80, 90 — e talvez no início dos anos 2000 —, certamente leu o parágrafo anterior com a mítica voz do narrador de Esquadrão Classe A e, imediatamente depois, começou a tocar aquela trilha sonora clássica na sua cabeça. A série protagonizada por George Peppard, Dirk Benedict, Dwight Schultz e Mr. T foi um fenômeno de audiência mundial e se tornou um verdadeiro ícone da televisão daquela época.

A disputa pelo holofote

Embora os quatro membros dessa equipe peculiar parecessem muito unidos na tela, os bastidores eram marcados por conflitos. Foi o que Dirk Benedict revelou em várias entrevistas. No documentário Bring Back... The A-Team (2006), ele relembrou como se sentia ao lado de colegas com personalidades tão fortes.

"Mr. T se tornou o centro do universo. George [Peppard] estava furioso porque ele era uma estrela de cinema e, de repente, todo o show girava em torno de um cara que nem ator era. Eu simplesmente tentava fazer o meu trabalho e encontrar um espaço entre a presença de Mr. T e o ego de George."

Para entender exatamente por que eles entraram em conflito, é preciso compreender um pouco a personalidade de cada um. Benedict era um ator de método com experiência no teatro, enquanto o Mr. T nunca havia se formado como ator — na verdade, ele era guarda-costas de figuras como Steve McQueen, Michael Jackson e Muhammad Ali. Mr. T baseava seu carisma em cena em sua presença física, suas correntes de ouro e... sendo ele mesmo. Benedict foi escalado como Phoenix por causa de sua natureza mais sutil; ele não chamava muita atenção.

O preço do sucesso

Benedict se viu encurralado entre o preciosismo do antigo astro de cinema e o estouro do novo fenômeno da cultura pop. Da noite para o dia, Mr. T virou o símbolo do grupo e o mercado foi inundado de produtos com o seu rosto. Essa popularidade também se refletiu no salário do elenco, alimentando as tensões no set de filmagens.

Apesar dos problemas de ego, o resto do elenco reconhece o impacto do colega, como destacou Dwight Schultz no mesmo documentário:

"Mr. T era um conceito em si mesmo. Não era um ator, era um ícone. No começo, nós nos olhávamos como quem diz: 'O que é isso?'. Mas a realidade é que ele foi o motor do show. Todos nós ficamos ricos graças ao Mr. T. Se a série se tornou o sucesso massivo que foi, foi por causa dele. Sua energia e sua imagem venderam o programa no mundo inteiro."

A 1ª temporada clássica de Esquadrão Classe A está disponível para streaming no Oldflix.

Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).
facebook Tweet
Links relacionados