Akira Toriyama se cansou de Gohan: a mudança radical em Dragon Ball que terminou em fracasso
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

A mudança radical com o Gohan terminou em fracasso se a encaramos como uma aposta de longo prazo. Mas também deixou uma das fases mais estranhas de todo Dragon Ball Z.

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Em Dragon Ball há mudanças que parecem naturais e outras que, quando você olha com mais atenção, parecem não tão bem pensadas. A saga de Buu de Dragon Ball Z tem várias dessas viradas, e uma delas foi esse Gohan que por momentos parece protagonista de outra série. Não era uma má ideia, mas dava a sensação de que Akira Toriyama queria experimentar algo diferente antes de voltar às pancadarias de verdade.

A mudança não parecia tão ruim. Após a saga de Cell, Gohan vinha de um dos momentos mais importantes de toda a franquia: ele não só havia derrotado o vilão mais forte, como também carregava a sensação de revezamento geracional que muitos fãs já davam como certa. Goku continuava sendo o grande rosto de Dragon Ball, mas seu filho já estava lá, com um espaço conquistado a duras penas dentro da história.

Uma fase mais leve de Dragon Ball: O experimento que durou muito pouco

Foi nesse contexto que surgiu essa versão estranha e divertida do Gohan. No colégio, escondendo quem era, lidando com colegas, professores e pequenos perrengues do dia a dia, enquanto se tornava o Grande Saiyaman para continuar salvando as pessoas sem levantar suspeitas. Segundo comentários de ex-editores de Toriyama, era mesmo um experimento: uma fase mais leve, mais cotidiana e menos obcecada com a busca infinita por poder.

O problema é que o teste não durou muito. De acordo com o que disseram Kazuhiko Torishima, Yu Kondo e Fuyuto Takeda, Toriyama acabou se entediando com aquele rumo e o deixou para trás de forma abrupta. O motivo não teria sido uma rejeição massiva do público, mas algo muito mais próprio de um autor: o ambiente escolar implicava desenhar cenas cheias de personagens, figurantes e composições mais carregadas, algo que o mangaká achava tedioso.

Gohan não falhou: o enfoque é que não se sustentou em Dragon Ball

Durante muito tempo se repetiu a ideia de que o Gohan "fracassou" como protagonista e que por isso Goku voltou ao centro. Mas as declarações confirmam que a história era outra: não era tanto um cansaço com o personagem em si, mas com o tipo de história que Toriyama estava construindo ao redor dele naquele momento.

E isso fica evidente quando se revisita essa fase. O Gohan adulto tinha coisas interessantes: uma energia diferente, menos selvagem que a do pai, mais desajeitado socialmente, com um toque mais cômico. O Grande Saiyaman encaixava perfeitamente naquele tom meio ridículo que Dragon Ball nunca perdeu de todo. O problema era que sustentar uma história escolar dentro de uma série tão marcada por lutas e transformações não era tão simples, nem para o leitor nem para o próprio criador.

Quando Toriyama largou essa ideia, Dragon Ball voltou ao que sempre foi: torneios, ameaças maiores, níveis de poder absurdos, fusões, caos e um retorno cada vez mais claro de Goku como eixo emocional e comercial da narrativa. A saga de Buu terminou sendo uma mistura estranha entre comédia absurda, destruição total e fan service, na qual o Gohan ficou no meio do caminho.

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