É uma daquelas séries que marcam época: 8 episódios que entregam uma história simplesmente devastadora
Maria Clara decidiu estudar audiovisual para juntar o melhor de todos os mundos. Apaixonada pelo cinema independente e também pelos famosos filmes da sessão da tarde, não dispensa indicações e nem julga um filme pela sinopse.

Um fenômeno até que fácil de prender, afinal, a série escancara um conflito humano e político que poucas produções tiveram coragem de encarar de frente.

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Com a febre das plataformas de streaming, o mundo inteiro passou a ter acesso a produções de todos os cantos. E isso serviu como um empurrão para que vários países começassem a investir ainda mais em obras autorais, com histórias que, há algumas décadas, pareciam improváveis de se assistir na telinha.

Tudo isso acabou desembocando num ano quase lendário: 2020, quando as minisséries dominaram o globo. Entre elas, uma joia espanhola chamada Pátria, produção ambiciosa da HBO Max baseada no romance homônimo de Fernando Aramburu. A trama escancara as cicatrizes deixadas pelo conflito basco com uma sensibilidade cirúrgica. São oito episódios de pura tensão emocional, que na época foram — com toda a justiça — aclamadíssimos.

Um mergulho rápido na história

Bittori (Elena Irureta) e Miren (Ane Gabarain), apesar de virem de classes sociais diferentes, eram amigas inseparáveis. Até que o marido de Bittori, Txato (José Ramón Soroiz), um empresário basco, é assassinado na porta de casa. A partir daí, o mundo das duas famílias desaba. Bittori rompe qualquer contato com Miren — afinal, o filho dela era membro do ETA.

O que vem depois é um labirinto de luto, silêncios e contradições morais. Ambas seguem vivendo, mas carregando os escombros de um passado que insiste em não passar. Anos depois, quando o ETA anuncia o fim da violência, Bittori — agora em San Sebastián — decide voltar à cidade onde tudo aconteceu. Ela já não se sente mais em casa por lá, mas sente que precisa remexer nas feridas, nem que para isso precise cruzar o caminho da antiga amiga, que também vive o luto à sua maneira, ainda que do outro lado da trincheira.

A emoção que pega a gente de jeito

Tem casos em que uma obra já nasce predestinada a virar fenômeno. Pátria é um deles. O livro já havia conquistado leitores e crítica, então o caminho estava aberto: bastava uma adaptação à altura, fiel sem ser burocrática, que respeitasse a força do original. Missão dada, missão cumprida.

Com um investimento sólido da produção e um elenco completamente entregue — Elena Irureta e Ane Gabarain dão um show à parte —, a série ganhou vida própria. As duas protagonistas são daquelas que a gente carrega pra sempre na memória, mesmo depois de apertar o "continuar assistindo".

Dá pra ver Pátria na HBO Max.

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