"Não faz sentido nenhum": É um dos maiores filmes de guerra de todos os tempos, mas Matt Damon apontou uma incoerência
por Giovanni Rodrigues

Em 1998, após a estreia de O Resgate do Soldado Ryan, Matt Damon ficou um pouco incomodado com um dos aspectos fundamentais do roteiro.

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Em 1998, Steven Spielberg nos presenteou com um dos maiores filmes de guerra de todos os tempos: O Resgate do Soldado Ryan. Conduzido por uma atuação magistral de Tom Hanks, a narrativa tem início durante o desembarque das forças aliadas na praia de Omaha, em 6 de junho de 1944.

A obra alcançou um sucesso estrondoso, tornando-se rapidamente um grande clássico e conquistando cinco estatuetas do Oscar. O longa também consolidou o talento de um futuro astro de Hollywood, um jovem de 28 anos na época chamado Matt Damon, que acabara de chamar a atenção da indústria com Gênio Indomável.

Uma obra marcante

A história acompanha o capitão Miller, vivido por Tom Hanks. Ele recebe uma missão tão perigosa quanto fora do comum: liderar seu esquadrão atrás das linhas inimigas para encontrar o soldado James Ryan e trazê-lo de volta são e salvo.

Ryan é o último sobrevivente de quatro irmãos, já que os outros três foram mortos em combate no intervalo de apenas três dias. Ao longo do avanço por território inimigo, os homens de Miller se questionam: é justificável arriscar a vida de oito soldados para resgatar apenas um?

Foi precisamente essa questão que chamou a atenção de Matt Damon, que comentou sobre esse ponto do enredo à rede CBS News em julho de 1998. "Por que oito caras arriscam suas vidas para salvar um único homem?", questionou o ator na época.

Sinceramente, isso não faz sentido nenhum. Mas, conforme eles o procuram... ele passa a representar o irmão de cada soldado, a esperança de cada um de voltar para casa.

O soldado Ryan diante da realidade

Historiadores chegaram à mesma conclusão. É fato que, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército norte-americano adotava uma política destinada a evitar que uma mesma família perdesse todos os seus filhos no conflito. Inclusive, a história real dos irmãos Niland serviu parcialmente de inspiração para a trama.

Contudo, na vida real, quando um soldado perdia vários irmãos no campo de batalha, os sobreviventes eram transferidos para fora da linha de frente por meio de um simples procedimento burocrático. O exército jamais enviaria um pelotão inteiro para o meio de uma zona de combate ativo com a missão de buscá-los arriscando a própria vida.

Como explicou o historiador militar Mat McLachlan ao portal Grunge, a premissa é pouco verossímil sob a ótica histórica: "Nenhum general enviaria um grupo de soldados para se aventurar no coração do território inimigo para encontrar um único homem, não importando quantos irmãos ele tivesse perdido".

O cineasta Oliver Stone compartilhava do mesmo ceticismo. Tendo lutado na Guerra do Vietnã, ele era sem dúvida mais crítico do que muitos outros diretores em relação ao que considerava inconsistências e "bobagens hollywoodianas" do cinema bélico.

Para Matt Damon, a única forma de conferir coerência a essa expedição é enxergar o soldado Ryan como um símbolo, e não apenas como um indivíduo a ser resgatado. À medida que avançam na busca, ele se converte no "irmão de cada um, na chance de cada um retornar para casa", como citado anteriormente.

Em termos práticos, a missão ganha um peso simbólico: salvar Ryan significa dar a todos um motivo para acreditar que eles também poderão reencontrar suas famílias.

Concordando ou não com essa explicação para sustentar o roteiro, o fato é que ela não diminui em nada a qualidade cinematográfica da obra, tampouco abala a posição que O Resgate do Soldado Ryan ocupa entre as grandes obras-primas da história do cinema.

O Resgate do Soldado Ryan está disponível para streaming no Paramount+.

Giovanni Rodrigues
-Redator
Já quis ser X-Men, caça-vampiros e paleontólogo, mas me encontrei no jornalismo. Como todo bom crítico cultural e aficionado por cultura pop, busco saber um pouco de tudo e muito sobre o que quase ninguém liga.
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