Há 64 anos, um dos maiores ícones de Hollywood publicou um anúncio provocativo em um jornal: Apesar de ter ganhado dois Oscars, ela não estava mais conseguindo papéis!
Amante dos filmes de fantasia e da Beyonce. Está sempre disposta a trocar tudo por uma sitcom ou uma maratona de Game Of Thrones.

Bette Davis foi uma das maiores estrelas da era clássica de Hollywood, mas depois dos 40 anos, sua carreira entrou em declínio.

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Bette Davis foi uma das maiores e mais influentes estrelas femininas da era clássica de Hollywood. No início dos anos 1930, a atriz nascida em Massachusetts se mudou para Hollywood e rapidamente chamou atenção, não apenas por seu talento, mas também pelos marcantes “olhos de Bette Davis”, eternizados na famosa canção de Kim Carnes lançada nos anos 1980. Seus papéis foram ganhando cada vez mais destaque até que, em 1934, ela finalmente chegou ao primeiro escalão com a adaptação literária Escravos do Desejo.

Sua interpretação de Mildred Rogers, uma mulher cruel e emocionalmente imprevisível, já dava pistas do tipo de personagem que marcaria sua carreira. As mulheres interpretadas por Davis costumavam ser mais obstinadas, complexas e ambíguas do que Hollywood estava acostumada a permitir às personagens femininas naquela época.

Nos anos seguintes, Davis se tornou um dos maiores nomes do cinema norte-americano — talvez não apesar de sua recusa em agradar ao público a qualquer custo, mas justamente por causa dela. Os melodramas Perigosa (1935) e Jezebel (1938) renderam a ela dois Oscars de Melhor Atriz. E seu sucesso continuou ao longo dos anos 1940.

Com filmes como A Carta, Pérfida e Estranha Passageira, Davis permaneceu entre os rostos mais importantes do sistema de estúdios. O auge — e, de certa forma, o encerramento dessa fase — veio com A Malvada.

Como a diva do teatro Margo Channing, Davis entregou uma de suas atuações mais icônicas e recebeu sua oitava indicação ao Oscar, de um total de 10 ao longo da carreira. O filme venceu seis estatuetas e hoje é considerado um dos grandes clássicos da história do cinema.

Quando sua carreira entrou em declínio, Bette Davis publicou um anúncio de emprego no jornal

Depois disso, porém, a carreira da atriz começou a perder força. Ainda no início dos 40 anos, Davis passou a receber menos propostas — e, principalmente, papéis menos interessantes. Se os grandes estúdios disputavam sua presença duas décadas antes, agora ela precisava lutar pelas poucas oportunidades que ainda apareciam.

Sua filmografia deixa isso evidente. Entre 1952 e 1955, por exemplo, Davis não participou de nenhum filme. E boa parte de seus trabalhos posteriores ficou abaixo do alto padrão artístico e comercial que ela havia estabelecido durante o auge de sua carreira.

Foi nesse contexto que, no início dos anos 1960, Davis tomou uma atitude incomum. Frustrada com a situação profissional, ela publicou um anúncio no The Hollywood Reporter, apresentando-se, de maneira deliberadamente objetiva — e com uma boa dose de ironia — como uma atriz à procura de trabalho.

O texto dizia: “Mãe de três filhos (10, 11 e 15 anos). Divorciada. Americana. Trinta anos de experiência como atriz de cinema. Ainda em plena forma — e mais amigável do que dizem. Procura emprego fixo em Hollywood. Bette Davis.”

Após o protesto, Davis conseguiu um de seus papéis mais famosos

O anúncio chamou bastante atenção em Hollywood, embora não tenha provocado uma discussão mais ampla sobre a forma como a indústria tratava atrizes que envelheciam. No panorama geral, portanto, pouca coisa mudou.

Para Davis, porém, a estratégia deu resultado. Pouco depois, novas propostas começaram a surgir. E, em 1962, ela conseguiu um dos papéis mais marcantes de sua carreira ao lado de Joan Crawford, outra lenda da Hollywood clássica que também enfrentava a perda de interesse dos grandes estúdios, em O Que Terá Acontecido a Baby Jane?

As duas estrelas protagonizaram um verdadeiro duelo psicológico diante das câmeras. Fora delas, porém, a relação também era marcada por fortes tensões, que acabaram contribuindo para transformar a produção em uma das histórias mais lendárias dos bastidores de Hollywood.

O filme foi um sucesso inesperado de bilheteria e, décadas depois, conquistou definitivamente o status de clássico. Três anos mais tarde, Davis voltou a trabalhar com o diretor Robert Aldrich em outro thriller psicológico, Com a Maldade na Alma. Embora não tenha causado o mesmo impacto de Baby Jane, o longa também encontrou um público considerável.

Davis nunca mais repetiu um sucesso comercial de proporções semelhantes, mas continuou trabalhando até a velhice. A atriz permaneceu ativa no cinema e na televisão até sua morte, em 1989. Nos últimos anos de carreira, participou de diversas produções da Disney, incluindo um dos poucos filmes de terror realizados sob o comando do estúdio. Sua última aparição nas telas aconteceu na comédia de terror Wicked Stepmother, dirigida por Larry Cohen.

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