A Odisseia, de Christopher Nolan, não está apenas quebrando recordes de bilheteria em todo o mundo, mas também reviveu um cinema tradicional, tornando-se um sucesso instantâneo de público e estabelecendo uma marca impressionante.
A força extraordinária que A Odisseia exerce nos cinemas pode ser explicada de forma perfeita pelo Alex Theatre, em Glendale, na Califórnia. Nunca ouviu falar desse lugar? Sem problemas! Você só precisa saber que se trata de um palácio do cinema tradicionalíssimo que existe desde 1925 e que o próprio Walt Disney costumava usar para exibir seus curtas-metragens.
Um palácio centenário com raízes em 1925
Quando uma concorrência avassaladora de multiplexes abriu nas proximidades em 1991, o local teve que fechar as portas. No entanto, em 1993, o cinema foi reativado por uma iniciativa local. Desde então, o espaço oferece uma programação diversificada de shows, peças de teatro e outros eventos ao vivo. Na tela, enquanto isso, passam principalmente clássicos, sobretudo antigos filmes mudos dos primeiros anos do cinema. O último lançamento inédito exibido por lá foi O Exterminador do Futuro 2, em 1991 — ou seja, há três décadas e meia.
Mas, como A Odisseia é um filme tão especial, os administradores quiseram a todo custo incluí-lo em sua programação. Eles chegaram a investir 500 mil dólares no cinema, construíram uma nova cabine de projeção e instalaram um projetor de 70 mm para poder exibir a obra em grande formato analógico.
É a forma de projeção preferida de Christopher Nolan para seu épico de fantasia e, depois das raríssimas sessões em IMAX 70 mm, a segunda melhor maneira de vivenciar sua obra. Um colaborador próximo de Nolan, que também trabalhou em A Odisseia, apoiou as reformas e ajudou a garantir que a distribuidora Universal disponibilizasse uma cópia. E a aposta valeu a pena: ao retornar ao circuito comercial contemporâneo, o palácio cinematográfico de mais de 100 anos estabeleceu um recorde de imediato.
O cinema de 70 mm convencional mais bem-sucedido
Nenhum cinema que exibe A Odisseia no formato clássico de 70 mm arrecadou tanto com o filme quanto o Alex Theatre, conforme informou o próprio espaço e veicularam veículos como o Hollywood Reporter. Isso certamente deve agradar a Christopher Nolan, que há anos luta pela preservação da projeção em película, defendendo que mais salas voltem a projetar filmes de forma analógica em vez de digital.
Em outros países, também é possível observar que A Odisseia está promovendo um renascimento do cinema analógico. O longa provocou uma busca extraordinária por exibições em formatos analógicos no mundo todo. Alguns fãs viajam centenas de quilômetros para conseguir um ingresso para as raras sessões em IMAX 70 mm. O autor destas linhas, por exemplo, visitou um cinema em Praga para isso. As salas estão oferecendo até mesmo sessões na madrugada nesses cobiçados formatos analógicos para dar conta da demanda.
O começo de uma nova era para o Alex Theatre
Nolan não apenas desencadeou uma corrida pela experiência cinematográfica clássica, como também ressuscitou um cinema antigo no processo. Para o Alex Theatre, este é apenas o começo. A princípio, a ideia era exibir A Odisseia por apenas três semanas, período que agora será estendido.
No futuro, o local, que vinha dando prioridade a peças teatrais, pretende voltar a dar mais espaço à arte cinematográfica. O foco continuará sendo os clássicos, que graças à nova tecnologia agora podem ser apresentados tanto em 70 mm quanto em 35 mm. Contudo, lançamentos selecionados também devem entrar em cartaz a partir de agora: no radar já estão títulos como Duna: Parte 3 e As Crônicas de Nárnia, de Greta Gerwig.