"Eu era um soldadinho”: Hayden Panettiere expõs a difícil realidade de ser uma estrela mirim em Hollywood
Jornalista em formação dividida entre a paixão pelo cinema e pela música. Como coração é grande, cabe desde comédias românticas até documentários musicais. Sempre em busca de encaixar sua devoção por Jorge Ben Jor e John Carpenter em alguma conversa.

A atriz expôs a rígida obediência exigida de estrelas mirins em Hollywood e o quanto esse comportamento tóxico acabou culminando no seu abuso de substâncias.

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Já é de conhecimento geral que a vida em Hollywood não é só glamour e luxo. O lado sombrio da fama revela uma indústria pautada por dinâmicas de poder problemáticas, na qual profissionais são submetidos a uma vida de pressões e exigências, em muitos momentos, traumáticas. E quem começa cedo, como foi o caso da atriz recém-falecida Hayden Panettiere, fica ainda mais suscetível a vivenciar esse tipo de cotidiano nocivo.

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Meses antes de falecer aos 36 anos, Panettiere comentou abertamente sobre sua experiência como atriz mirim e o impacto duradouro que isso teve sobre ela em uma entrevista à revista The Hollywood Reporter. As revelações ocorreram sob a ocasião do lançamento do seu livro de memórias, o chamado This Is Me: A Reckoning.

O preço da obediência cega

Quando perguntada sobre se sentir pressionada a honrar compromissos e continuar trabalhando até mesmo quando não se está passando bem emocionalmente, Panettiere foi enfática e direta: "Acho que é por causa da maneira como fui criada. Fui aliciada. Eu era como um soldadinho e sempre fui assim. “Não” nunca foi uma opção. Era simplesmente: “Aqui estão suas cenas, aqui está seu diálogo, memorize, siga as marcações, faça o que o diretor mandar”. Eu cumpria minhas ordens", admitiu a jovem atriz.

Panettiere começou a atuar em 1990, antes mesmo de completar 1 ano de idade, fazendo sua primeira aparição em um comercial antes de passar a trabalhar na TV. Mais tarde, a atriz acabou se tornando um nome conhecido do grande público graças ao papéis em séries famosas como Heroes e Nashville, e filmes como As Apimentadas: Tudo ou Nada e Eu Te Amo, Beth Cooper.

A estrela falou sobre só ter percebido essa falta de autonomia quando começou a abusar de substâncias ilícitas. "Minha necessidade de agradar aos outros tinha se acumulado cada vez mais; era raiva, ansiedade e frustração", disse a atriz sobre o que a levou a se autodepreciar com drogas e álcool.

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"Minha vida girava em torno das outras pessoas; eu vivia para fazer os outros felizes e era a última da lista", continuou. "A pressão foi aumentando cada vez mais até simplesmente explodir. Comecei a procurar qualquer maneira de superar aquilo. Às vezes, dizem no tratamento que, acredite ou não, nossos vícios provavelmente nos salvaram em determinado momento"

Mesmo depois de perceber esses padrões prejudiciais para sua autoestima e carreira, Panettiere admitiu que continuava sendo difícil defender seus interesses profissionalmente por um costume a agir dessa maneira tóxica consigo mesma. "Eu, então, estava lidando com todos aqueles anos em que fui o “sim, senhor” e não me defendi", disse.

"Nunca dizia “não”, não me sentia à vontade para fazer isso nem para dizer às pessoas que estava sobrecarregada. Eu me esforçava ao máximo para fazer tudo o que queriam no set, mas era demais para qualquer pessoa", completou.

Além dos filmes e séries já citados, Hayden Panetierre também esteve presente nas sequências Pânico 4 e Pânico 6 e no filme de terror Until Dawn.

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