Hayao Miyazaki inspirou-se na Odisseia de Homero para criar uma de suas heroínas: Uma princesa que foi ignorada por Christopher Nolan em seu filme
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

De Homero ao Japão feudal: Foi assim que se forjou o ícone feminista mais rebelde de Hayao Miyazaki.

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Embora Christopher Nolan continue deixando bastante a desejar no quesito personagens femininos, não se pode dizer que em A Odisseia não existam mulheres extremamente importantes para a história. Na verdade, algumas que de fato existiam na epopeia de Homero acabaram ficando de fora da versão de Nolan, embora uma princesa tenha sido a base para uma das melhores heroínas de Hayao Miyazaki.

Um coquetel explosivo de culturas

Ironicamente, o campo em que Nolan deixa a desejar é onde Miyazaki brilha: com suas personagens femininas. Uma de suas heroínas mais brilhantes é, sem dúvida, Nausicaä, a protagonista de Nausicaä do Vale do Vento, uma princesa que dá a vida para proteger a natureza e enfrentar um império destruidor que devasta tudo em seu caminho.

O nome desta heroína (espiritual) do Studio Ghibli vem da princesa Nausícaa de Odisseia, a filha do rei Alcínoo dos feácios. Após deixar para trás a ilha de Calipso, Odisseu ainda tem mais uma parada em sua jornada, e Nausícaa o encontra na costa quando ele naufraga. Durante esse tempo, Odisseus relata suas viagens (e sua odisseia), e finalmente Alcínoo lhe fornece a embarcação com a qual ele finalmente consegue retornar a Ítaca.

Nausícaa é uma das personagens mais amadas pelos leitores de Odisseia, embora costume ser esquecida nas adaptações. E, embora seja uma personagem bastante diferente, foi uma das inspirações de Miyazaki para Nausicaä do Vale do Vento, juntamente com um conto tradicional japonês.

O diretor realizou uma curiosa pirueta de antropofagia cultural, entre a mitologia grega e o conto A Dama que Amava os Insetos (Mushi Mezuru Himegimi). Porque possivelmente a Nausicaä de Miyazaki bebia mais desta princesa do que da de Homero, que era descrita como uma rebelde que não acatava as normas da corte, que não depilava as sobrancelhas nem tingia os dentes porque preferia correr livre enquanto coletava lagartas.

No entanto, o amor de Miyazaki pela princesa Nausícaa não começou lendo Odisseia, mas sim ao ficar fascinado pela descrição feita pelo autor Bernard Evslin em seu dicionário de mitologia grega, como consta na biografia do diretor Hayao Miyazaki Starting Point: 1979-1996. Uma princesa de "pés leves" e amante da música, que apaixonou tanto Hayao Miyazaki que acabou dando nome a uma heroína exemplar que nos conquistou há 40 anos e colocou a primeira pedra para a fundação do Studio Ghibli.

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