Tendo permanecido como funcionário da MGM até sua morte em 1963, Eddie Mannix é uma figura de grande destaque na história de Hollywood. Um homem particularmente controverso, capaz de resolver qualquer problema. Inclusive recorrendo à Máfia...
Em uma cena no início do filme Ave, César!, dos irmãos Coen, vemos Eddie Mannix, interpretado por Josh Brolin, conversando com DeeAnna Moran (Scarlett Johansson), a estrela das comédias musicais aquáticas da Capitol Pictures.
Para Mannix, o filho ilegítimo de Moran, sobre o qual a imprensa ainda não falou, é uma bomba-relógio, e o fato de ele e o estúdio já terem arranjado dois casamentos de fachada para a bela nadadora – primeiro com um pequeno gângster e depois com um maestro de orquestra dependente químico – não tem a menor importância. Ela precisa se casar novamente antes que a imprensa especializada e de fofocas descubra a existência de seu filho.
Eddie Mannix é um fixer na Capitol, um dos estúdios de cinema norte-americanos mais famosos da época. Os fixers são responsáveis por resolver todos os problemas inerentes a cada um de seus filmes. Um trabalho que não conhece horários nem rotina. Ele também resolve em série as encrencas nas quais os artistas do estúdio têm o dom de se meter sozinhos...
Hollywood e seus bastidores sórdidos
Por trás da comédia mordaz dos irmãos Coen, esconde-se uma realidade nada animadora. Embora Hollywood seja uma máquina sempre pronta para fabricar e vender sonhos, seus bastidores estão repletos de histórias, uma mais sórdida que a outra.
Sodoma e Gomorra expondo à luz do dia esses costumes e vícios que horrorizavam o interior dos Estados Unidos. Atriz incapaz de se enquadrar no molde hollywoodiano a ponto de ser internada em um hospital psiquiátrico. Extorsão e cobrança de propina pela máfia. Abortos clandestinos praticados à força em atrizes para não destruir suas imagens glamourosas e imaculadas, pacientemente moldadas pelos grandes estúdios... A lista é extremamente longa.
O personagem interpretado por Josh Brolin existiu de fato, e até hoje é difícil dimensionar o poder e a influência que esse homem exerceu nos corredores de Hollywood. Tendo permanecido como funcionário da MGM até sua morte em 1963, Mannix é uma figura central na história de Hollywood, ocupando um lugar de destaque na mitologia desse estúdio, que costumava se orgulhar de ter "mais estrelas do que existem no céu".
Ao lado de Howard Strickling, o chefe de comunicação do estúdio, Eddie Mannix era um homem que ninguém queria contrariar, já que tinha contatos extremamente influentes. Em 1959, seu nome seria associado ao caso relacionado à morte de George Reeves, adorado por milhões de americanos que havia interpretado o Superman na série de TV. O ator foi encontrado sem vida em 16 de junho daquele ano, oficialmente em decorrência de um suicídio. Até que se descobriu que o ator mantinha um estranho relacionamento a três com Edgar J. Mannix e sua companheira...
O caso Velvet Lips, o filme pornô de Joan Crawford
Anos antes, Mannix havia se destacado ao salvar a carreira da atriz Joan Crawford em um caso sórdido. Antes de se tornar uma estrela de Hollywood, ela teria gravado, quando ainda era adolescente, pelo menos um filme pornográfico intitulado Velvet Lips. A MGM, por meio de Mannix, passou anos rastreando cópias do filme para destruí-las e preservar a reputação de Joan Crawford. Eddie Mannix aliou-se à máfia para encontrar os chantagistas que exigiam 100.000 dólares em troca da devolução dos rolos de filme.
Segundo o livro Hollywood & The Mob: Movies, Mafia, Sex and Death, um documento no arquivo do FBI dedicado à atriz especifica que o estúdio (Mannix, portanto...) deu uma escolha aos chantagistas: aceitar 25.000 dólares em troca de todos os negativos, ou a máfia os eliminaria e se apoderaria dos negativos. Segundo outra versão da história, Mannix teria simplesmente desembolsado 100.000 dólares para recuperar os negativos.
De qualquer forma, quando Joan Crawford deixou a MGM em 1943, ela pagou 50.000 dólares ao estúdio para se libertar de seu contrato. O biógrafo da atriz, Fred Lawrence Guiles, sugeriu que esse dinheiro era, na verdade, um reembolso da quantia adiantada para comprar e destruir os negativos de seu filme pornô...