Quem ama filmes de aventura e o cinema de monstros precisa conhecer O Mundo Perdido de 1925. Este clássico do cinema mudo serviu de base até para a famosa sequência de Steven Spielberg, O Mundo Perdido: Jurassic Park.
Humanos, dinossauros e reviravoltas: O Mundo Perdido, lançado em 1925, tem tudo isso e muito mais. Na época, a produção impressionou o público com efeitos especiais revolucionários, trazendo criaturas extintas de volta à vida por meio da pura magia do stop-motion.
Hoje, este filme mudo é um convite para viajar no tempo, remetendo a uma era mais simples do cinema, muito antes de os blockbusters barulhentos e saturados de tela verde começarem a cansar o público com fórmulas repetitivas.
Se você quiser embarcar nessa jornada clássica de aventura, a experiência tradicional em preto e branco (ou com as viragens de cor originais da época) está em domínio público e o filme pode ser assistido de forma totalmente gratuita e legal no YouTube.
E do que se trata O Mundo Perdido?
Ed Malone (Lloyd Hughes) está perdidamente apaixonado. No entanto, sua amada Gladys (Alma Bennett) só aceita se casar com um homem que já tenha encarado o perigo de frente com coragem extrema. Sendo assim, o jovem repórter do London Record Journal decide se juntar à expedição do Professor Challenger (Wallace Beery).
O excêntrico cientista quer provar que os dinossauros sobreviveram ao longo dos milênios no coração da floresta amazônica — e, de quebra, tentar localizar o explorador desaparecido Maple White, sumido em uma das viagens anteriores.
O grupo se completa com o caçador Sir John Roxton (Lewis Stone), Paula (Bessie Love), a filha de Maple White, e o rabugento entomologista Summerlee (Arthur Hoyt). Após uma viagem extremamente árdua, a equipe chega ao topo de um isolado platô onde os dinossauros ainda vivem. Não demora muito para os pesquisadores toparem com répteis gigantescos e assustadores. Contudo, por um golpe de azar, o caminho de volta da expedição é destruído. Conseguirá Ed Malone escapar desse ambiente hostil?
Sem O Mundo Perdido, não existiria King Kong
O cinema clássico de monstros tem um charme único. O King Kong original de 1933, por exemplo, é uma verdadeira joia da sétima arte que continua fascinante mesmo após mais de 90 anos de seu lançamento. É pura magia cinematográfica.
O pioneirismo de O Mundo Perdido, dirigido por Harry O. Hoyt, foi fundamental para que o gorila gigante e muitos outros blockbusters modernos existissem. O animador e mestre do stop-motion Willis O’Brien, que mais tarde daria vida ao próprio King Kong, foi o responsável por animar os lagartos gigantes em 1925. Foi nessa produção que ele testou as técnicas que revolucionariam a indústria anos depois.
Ainda assim, assistindo hoje, fica evidente que a tecnologia na época estava dando seus primeiros passos. Ao contrário de King Kong, que se tornou um personagem expressivo e cheio de personalidade, os dinossauros de 1925 parecem bem mais rígidos e, em alguns momentos, bizarramente desajeitados.
Mesmo com as limitações da época, há sequências fantásticas. A grande estrela do filme é, sem dúvida, o Alossauro. Nas mãos de O’Brien, o bicho se transforma em uma força destrutiva da natureza, que dilacera tudo o que cruza seu caminho por puro instinto, chegando a capturar um Pterodáctilo em pleno voo. O Alossauro é uma verdadeira máquina de combate que busca briga a cada esquina, e seus confrontos brutais são os pontos altos técnicos da produção.
A conexão com Steven Spielberg
O ato final do longa merece um destaque especial. Um Brontossauro ferido é capturado e transportado de navio para Londres para ser exibido à comunidade científica. Contudo, o monstro escapa e espalha o caos pelas ruas da metrópole britânica.
Isso lhe soa familiar? Não foi à toa que Steven Spielberg batizou a sequência de seu estrondoso sucesso de O Mundo Perdido: Jurassic Park.
Inspirado diretamente no clássico de 1925, Spielberg também colocou um réptil gigante para marchar pelas ruas de uma grande cidade. Em vez de Londres, o dinossauro (desta vez um Tiranossauro Rex) aterroriza San Diego enquanto procura por seu filhote, deixando um rastro impressionante de destruição.
Um espelho do seu tempo
É claro que, visualmente, O Mundo Perdido não causa o mesmo impacto de um século atrás. Além disso, sob a ótica atual, o filme contém elementos problemáticos da época (como o uso de blackface em determinados personagens).
Apesar disso, o longa continua sendo uma obra histórica impressionante, cujo eco ainda reverbera no cinema de entretenimento contemporâneo. Para os amantes do fantástico, fãs de monstros gigantes e entusiastas do cinema raiz, essa relíquia imponente é um registro histórico que merece ser conhecido.