Kill Bill 2: Há 22 anos, esta restrição permitiu a Quentin Tarantino idealizar um dos planos mais bonitos do filme
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Há mais de 20 anos, Quentin Tarantino foi obrigado a repensar totalmente uma cena de Kill Bill: Volume 2, dando origem a um dos planos mais belos e emblemáticos do longa-metragem.

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Durante a produção de um filme, mesmo com uma ideia bem precisa no roteiro, é comum ser necessário rever totalmente os planos ao chegar no set. Às vezes, esse improviso sob pressão resulta em algo mágico, como explicou o cineasta Quentin Tarantino.

Um plano icônico na cena de igreja de Kill Bill: Volume 2

Em uma entrevista resgatada pela conta do Instagram Sunday Cinema, o diretor relembrou as filmagens de uma sequência fundamental de Kill Bill: Volume 2, na qual se viu forçado a mudar completamente sua abordagem técnica.

O diretor explicou que ele e sua equipe tinham uma semana inteira reservada para rodar a cena de abertura do filme — aquela ambientada na igreja, onde Bill (David Carradine) reencontra a Noiva (Uma Thurman).

Como o cronograma de filmagem costuma ser bastante apertado, o preciosismo de Tarantino acabou consumindo o tempo disponível. Restando apenas um dia de trabalho, ele ainda não havia filmado o desfecho da sequência: o massacre na igreja após a chegada do Esquadrão Assassino de Víboras Fetais, o grupo de elite liderado por Bill.

Originalmente, Tarantino planejava mostrar a carnificina em detalhes, em uma sequência de violência extrema. Contudo, em apenas um dia, seria impossível filmar tudo. Apenas a preparação técnica e os efeitos para uma cena desse porte exigiriam mais do que as horas restantes.

O cineasta, então, usou a limitação a favor da criatividade. "Na noite anterior ao último dia, voltei para casa pensando que jamais teria tempo suficiente para filmar o tiroteio. Eu precisava encontrar outra forma de mostrar que todos estavam sendo mortos", revelou Tarantino.

Eu precisava encontrar outra forma de mostrar que todos estavam sendo mortos

"Foi aí que idealizei o plano que encerra a sequência, com a câmera recuando para fora da igreja enquanto os vilões entram no enquadramento. Depois, colocamos a steadicam em uma grua para filmar de cima. Assim, vemos o tiroteio de longe, através das janelas", destacou o diretor.

Um impacto ainda maior

"Levamos o dia inteiro para estruturar esse plano altamente complexo, porque cheguei pela manhã diante da equipe e disse: 'É isto o que vamos fazer'. Tivemos que reorientar tudo, mas é um dos melhores planos do filme", concluiu um satisfeito Tarantino.

Diante da restrição de tempo, a decisão do diretor de adaptar a cena para não estourar o orçamento e o cronograma se provou acertada. Filmada dessa maneira, a sequência causa um impacto ainda mais forte no espectador, que é induzido a imaginar a violência em sua mente em vez de apenas testemunhar o banho de sangue explícito.

Nesse aspecto, o segundo volume apoia-se menos na violência gráfica do que o primeiro capítulo, conhecido pela abundância de sangue. O plano final que se eleva acima da igreja na sequência de abertura torna-se muito mais marcante, pois a beleza da paisagem naquele sublime preto e branco contrasta perfeitamente com a selvageria brutal do massacre que ocorre no interior do templo.

Kill Bill: Volume 2 está disponível para streaming na Netflix.

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