Embora a crítica não tenha sido gentil com Fabricante de Lágrimas, milhões de pessoas levaram o filme ao topo do ranking de filmes em línguas não inglesas.
A Netflix sabe muito bem que os romances juvenis têm uma força difícil de explicar. Nem sempre conquistam a crítica, nem chegam cercados por grandes campanhas de divulgação, mas ainda assim conseguem se transformar naquele tipo de filme que o público assiste, comenta, recomenda e defende como ninguém imaginava. Às vezes, basta uma história de feridas emocionais, olhares prolongados e segredos familiares para que o algoritmo trabalhe horas extras.
Na Europa, também surgiram vários fenômenos desse tipo, especialmente quando a obra é baseada em livros que já contam com uma base fiel de leitores. São histórias que nascem nas livrarias, viralizam nas redes sociais e acabam chegando ao streaming com protagonistas jovens e drama suficiente para preencher uma tarde inteira. Foi exatamente nesse terreno que um filme italiano conseguiu se destacar entre os títulos mais assistidos da Netflix.
O romance italiano que explodiu no streaming
O filme é O Fabricante de Lágrimas, lançado pela Netflix em abril de 2024 e baseado no romance homônimo de Erin Doom. A história acompanha Nica (Caterina Ferioli), uma jovem órfã que cresceu ouvindo sobre a lenda do fabricante de lágrimas. A lenda consiste em um artesão misterioso responsável por criar nos humanos todos os caos dentro do coração.
Nica, aos 17 anos, deixa os contos de fadas de lado pois está prestes a ser adotada, finalmente, mas o que seria um sonho para ela acaba virando um pesadelo, uma vez que a adoção dela será junto com Rigel (Simone Baldassari) e ele é a pior pessoa que ela gostaria de ter como irmão, já que ele esconde uma natureza sombria apesar de sua boa aparência.
Nica e Rigel, agora irmãos, por mais que tenham um passado com muitas dificuldades, eles escondem essas emoções por meio de raiva, fazendo com que cada um seja o próprio fabricante de lágrimas no outro. Com essa figura mística em jogo, eles terão de encontrar uma maneira de superarem seu obstáculos internos e aceitarem o amor que os atrai.
Os números de audiência ajudam a explicar por que tanta gente começou a falar sobre a produção. Segundo a Netflix, O Fabricante de Lágrimas alcançou o primeiro lugar da lista global de filmes de língua não inglesa durante sua semana de estreia, com 17 milhões de visualizações. Na semana seguinte, continuou em alta e ocupou a terceira posição, com mais 5,6 milhões de visualizações.
Após seu lançamento, o filme se tornou uma das produções mais populares da plataforma, especialmente entre o público jovem. Ainda assim, a recepção da crítica foi bem menos calorosa. No site Rotten Tomatoes, O Fabricante de Lágrimas registra apenas 14% de aprovação entre os críticos especializados, enquanto a aprovação do público chega a 49%.
O tipo de fenômeno que a Netflix entende muito bem
Grande parte do apelo de O Fabricante de Lágrimas está justamente no fato de que ele não tenta agradar quem procura um romance contido, realista ou perfeitamente refinado. Seu charme está em outro lugar: no excesso emocional, na intensidade quase novelesca e na forma como adapta um fenômeno literário voltado para leitores que não têm medo de histórias carregadas de drama. É o tipo de filme que pode parecer exagerado para alguns e exatamente isso para outros.
O sucesso também levantou uma pergunta inevitável: haverá uma continuação? Até o momento, não existem planos nem confirmações oficiais para uma sequência. Além disso, o romance original não possui uma continuação direta, o que significa que qualquer novo capítulo precisaria criar uma história inédita do zero. Enquanto isso não acontece, o filme segue disponível no catálogo da Netflix.