"Nunca houve nada parecido": 55 anos depois, este faroeste cult inspirou um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

Este faroeste cult de 1953 marcou o cinema com sua visão do bem e do mal. Christopher Nolan se inspirou nele para O Cavaleiro das Trevas, assim como James Mangold para Logan. Redescubra esta obra lendária.

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Lançado em 1953, um faroeste aparentemente clássico, no entanto, deixou uma marca duradoura no cinema moderno: trata-se de Os Brutos Também Amam. Sua influência ultrapassa em muito o gênero de filme de caubói, a ponto de ter inspirado um dos maiores filmes de super-heróis já feitos: Batman - O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan.

Com uma nota média de 4,7 de 5 no AdoroCinema, esta segunda parte da trilogia Batman é frequentemente considerada uma referência incontornável na adaptação de quadrinhos para o cinema. Sua atmosfera sombria e sua visão do mal encontram sua origem, em particular, em um clássico do western.

Os Brutos Também Amam é uma das inspirações de Christopher Nolan em O Cavaleiro das Trevas

O próprio Christopher Nolan reconheceu a importância dessa influência durante uma entrevista concedida ao The Hollywood Reporter.

"Os Brutos Também Amam foi uma das minhas maiores inspirações. O mal nesse filme era tão maligno. Nunca houve nada parecido. Eu tento me inspirar em grandes escalas, em mundos icônicos maiores que a vida. E você encontra isso nos grandes westerns do passado."

Este faroeste, conhecido em versão original como Shane, dirigido por George Stevens, oferece uma visão marcante do conflito entre o bem e o mal. Essa tonalidade, ao mesmo tempo pura e profundamente trágica, marcou fortemente o imaginário de muitos cineastas.

O Coringa e a ideia de um mal sem redenção

Em O Cavaleiro das Trevas, essa influência é particularmente notável no personagem do Coringa, interpretado por Heath Ledger. Nolan desejava torná-lo uma figura de puro caos, desprovida de qualquer trajetória emocional clássica.

O diretor explicou a esse respeito: "Nós sabíamos que queríamos usar o Coringa para representar uma ameaça crescente, mas não queríamos que o Coringa tivesse qualquer arco emocional. Então, nos voltamos para os quadrinhos para encontrar uma história emocional – e a de Harvey Dent/Duas-Caras nos pareceu perfeita para isso."

Essa construção narrativa reforça a ideia de um antagonista quase absoluto, na linha do mal frio e implacável já presente em Os Brutos Também Amam.

Um filme fundador e subversivo

O filme cult de George Stevens ocupa, assim, um lugar especial na história do gênero western e se destaca por sua representação matizada do bem e do mal, mas também por sua recusa às convenções tradicionais de Hollywood.

O herói, apesar de ter a possibilidade de reconstruir uma vida familiar e curar suas feridas, escolhe o exílio e uma forma de sacrifício, distanciando-se de um final feliz clássico. Essa escolha narrativa marcou profundamente o cinema de autor e influenciou várias gerações de diretores.

Uma influência que ultrapassa até mesmo os filmes de super-heróis

O impacto de Os Brutos Também Amam não se limita a Christopher Nolan. O filme também inspirou Logan, de James Mangold, outra obra importante do cinema de super-heróis moderno, avaliada em 4,6 de 5 no AdoroCinema.

Em uma cena que se tornou simbólica, o filme é até mostrado diretamente na tela, assistido por um Charles Xavier envelhecido, interpretado por Patrick Stewart, ao lado da jovem Laura, vivida por Dafne Keen. Uma maneira explícita de destacar a herança do filme de 1953 nesta nova geração de narrativas de super-heróis.

Uma admiração sempre viva em Nolan

O apreço de Christopher Nolan por este western nunca diminuiu. Em dezembro de 2023, ele chegou a organizar uma projeção de Os Brutos Também Amam no museu da Academia do Oscar, confirmando o status de cult que ele confere a esta obra.

Lançado 1954, este filme continua a ressoar muito além de sua época, influenciando algumas das maiores narrativas do cinema contemporâneo.

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