O momento mais difícil de Devoradores de Estrelas não aparece no filme, mas é por um bom motivo: "Era muito complicado de explicar"
Giovanni Rodrigues
-Redação
Já fui aspirante a x-men, caça-vampiros e paleontólogo. Contudo, me contentei em seguir como jornalista. É o misto perfeito entre saber de tudo um pouquinho e falar sobre sua obsessão por nichos que aparentemente ninguém liga (ligam sim).

A favor de mais cenas no espaço, uma ideia que refletia o desespero global foi cortada do roteiro de Devoradores de Estrelas por Drew Goddard.

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Adaptar uma história de um meio para outro não é um processo simples, e menos ainda em uma indústria como Hollywood, cada vez mais obcecada por franquias e fidelidade absoluta às propriedades originais. De fato, ao embarcar em uma adaptação, é preciso tomar decisões, cortar tramas e reformular ideias para que funcionem dentro de uma nova linguagem.

E foi exatamente isso que aconteceu com Devoradores de Estrelas em sua transição para o cinema. Embora seja extremamente popular, o romance de Andy Weir apresentava um desafio óbvio devido à sua extensão e complexidade. Felizmente, o processo acabou correndo muito bem.

Decisões difíceis em Devoradores de Estrelas

O responsável por levar a história das páginas para a tela grande foi Drew Goddard, que já havia adaptado com sucesso Perdido em Marte, mas que aqui se deparava com um tom muito diferente e uma história muito mais ambiciosa. No final, o resultado foi um filme que funciona, mas que também teve que deixar de fora alguns dos elementos mais impactantes do livro.

Um dos maiores desafios que Drew Goddard enfrentou foi decidir quais deveriam ser mantidos e quais deveriam ficar de fora. Apesar de sua intenção de ser o mais fiel possível, o próprio roteirista reconheceu, conforme relatado pelo Slashfilm, que conseguiu incluir grande parte do que mais gostava no romance: "Das minhas dez coisas favoritas do livro, nove estão presentes, o que é uma porcentagem muito boa". Mesmo assim, houve ideias que simplesmente não se encaixavam no tempo e na estrutura do filme.

A mais notável de todas foi um arco secundário especialmente sombrio em que os governos do mundo decidem bombardear a Antártida com armas nucleares para ganhar tempo e salvar a Terra. É um conceito poderoso que refletia o desespero global, e que o próprio Goddard tentou manter nos primeiros rascunhos do roteiro. No entanto, no final, não passou no corte.

"A parte mais difícil, e fui eu quem a eliminou, então não foi culpa de ninguém, é um momento ou cenas no livro onde eles decidem que precisam bombardear a Antártida com armas nucleares para ganhar tempo na Terra. Estava lá e eu adorei. Era um conceito muito interessante que refletia o desespero em que nos encontrávamos. [...] E é isso que mais me entristece ter perdido."

Mesmo assim, a decisão não teve tanto a ver com o tom quanto com uma questão prática como o tempo. O filme não podia se dar ao luxo de desenvolver adequadamente uma trama tão complexa sem afetar o ritmo geral, algo que o próprio Goddard explicou com clareza.

"...era muito complicado de explicar a uma audiência em pouco tempo e simplesmente não tínhamos tempo de tela suficiente para fazê-lo bem. Eu pensava: Tento explicar em três páginas, mas são necessárias oito e eu não tenho oito páginas. Simplesmente não as tenho".

Além disso, a história principal do filme se concentra no personagem de Ryland Grace e em seu relacionamento com Rocky, o que deixa ainda menos espaço para desenvolver arcos paralelos na Terra. Incluir uma sequência adicional com grande carga dramática poderia ter desequilibrado a experiência ou saturado o espectador.

Mesmo com essas mudanças, a adaptação consegue manter o espírito do livro e oferecer uma experiência sólida e emocionante. Como costuma acontecer nesses casos, não se trata de traduzir tudo, mas sim de escolher bem o que contar. E, embora a Antártida tenha ficado de fora, o resultado mostra que, às vezes, o sacrifício vale a pena.

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