Clint Eastwood gosta tanto de sorvete que se candidatou a prefeito para defendê-lo em sua cidade: "As coisas saíram do controle"
Marco Rigobelli
Marco é tradutor e redator. Tem uma história pessoal com O Bebê de Rosemary, acha que 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um dos maiores filmes já feitos e pode passar horas contando fatos aleatórios sobre O Senhor dos Anéis.

Você talvez saiba que Clint Eastwood foi prefeito de uma cidade, mas não os motivos para se candidatar

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Muitos sabem que Clint Eastwood foi prefeito de Carmel, uma cidade situada no estado da Califórnia que cativou o ator e cineasta durante os anos 1950 e que sempre ocupou um lugar em seu coração. O que certamente a maioria não sabe foram seus motivos para fazê-lo, nos quais os sorvetes desempenharam um papel fundamental.

Foi em 8 de abril de 1986 que o diretor de 'Os Imperdoáveis' foi eleito como novo prefeito, derrotando por uma ampla maioria sua predecessora Charlotte Townsend, mas seu desencanto com a gestão local remonta há vários anos no tempo, pois ele havia se mudado para lá no início dos anos 70, também abrindo um pequeno negócio.

Uma proibição muito estranha

Tudo remonta a uma lei municipal de 1929, que determinava "que a cidade de Carmel é, principal, essencial e predominantemente, uma cidade residencial na qual os negócios e o comércio estiveram, estão e se propõe que estejam no futuro subordinados ao seu caráter residencial". Isso envolvia uma série de restrições muito exageradas que uns habitantes apoiavam, enquanto para outros era uma limitação para o crescimento da região.

Uma dessas estranhas proibićões foi muito comentada quando, em 1985, negou-se a abertura de uma sorveteria fazendo alusão a uma regulamentação pouco conhecida de Carmel que obrigava que toda a comida para viagem na cidade devesse ser entregue em uma embalagem segura com tampa protetora. Ou seja, uma proibição implícita dos sorvetes de casquinha.

Entre isso e uma série de limitações que se impuseram na hora de iniciar o escritório que ele mesmo estava projetando, Eastwood tomou uma decisão inédita: candidatou-se a prefeito quando faltava pouco tempo para o encerramento do prazo. A campanha contra Townsend foi marcada para Eastwood pelas acusações recebidas de pensar unicamente no benefício dos negócios, e para ela não ajudou em nada defender com unhas e dentes a proibição da venda e consumo de sorvetes para evitar a possibilidade de sujarem o cháo. Ao final, a vitória de Eastwood foi esmagadora: 2.166 votos contra 799 de sua oponente.

Eastwood continuou fazendo filmes nos anos em que foi prefeito de Carmel, mas levou seu trabalho muito a sério, voando dos sets para comparecer às reuniões semanais do conselho — ele se absteve de participar daquelas em que se tinha que decidir sobre a conveniência de construir o escritório que queria colocar junto ao seu restaurante Hog's Breath Inn — inclusive escrevendo uma coluna no jornal local The Carmel Pine Cone.

Além disso, Eastwood cumpriu sua promessa de anular a estranha proibição dos sorvetes, sendo uma de suas primeiras medidas no cargo. Ele mesmo confessou ao Los Angeles Times que: "É um desafio, estou gostando. Gosto de tentar mudar a cidade para que seja mais útil e menos autoritária".

Foi tanto furor com a chegada de Eastwood ao cargo que começaram a vender merchandising com sua imagem, gerando receitas de dezenas de milhares de dólares. A lenda de Hollywood apoiou no início, mas acabou se arrependendo: "No início parecia uma boa ideia doar dinheiro ao Centro Juvenil, mas a coisa saiu do controle: as pessoas estão processando umas às outras pelo uso do nome Clintville".

O próprio Eastwood resumia as pequenas tensões do cargo como ossos do ofício, já que "isso não pode ser um concurso de popularidade. É preciso fazer o que for melhor para a maioria das pessoas". Tanto é que decidiu não voltar a se candidatar quando esteve claro que já havia contribuído com tudo o que podia e que era melhor se dedicar à família o tempo livre longe dos sets de filmagem.

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