Nem Interestelar, nem Duna: Avaliado com 4,3 de 5 estrelas, este filme de ficção científica é um dos melhores dos últimos anos
Fanática por filmes e séries, Ana possui um acervo de informações aleatórias sobre cultura pop e gosta de encarar câmeras imaginárias como se estivesse em Fleabag ou The Office.

Vamos relembrar Gravidade e seu roteiro injustamente atacado.

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Gravidade, escrito e dirigido pelo cineasta mexicano Alfonso Cuarón, é frequentemente descrito como um filme cujo enredo "caberia num post-it": uma cientista inexperiente viaja ao espaço numa missão de rotina e é forçada a encontrar um caminho de volta à Terra depois que o resto da tripulação morre. Um filme de sobrevivência intenso e espetacular, estruturado de forma linear e concebido para testar os nervos do espectador.

Avaliado com 4,3 de 5 estrelas pelos leitores do AdoroCinema, Gravidade foi elogiado pelo público por sua qualidade visual e excelente direção, em detrimento de um roteiro frequentemente considerado fraco. Isso seria esquecer que a beleza do cinema reside, antes de tudo, na escolha de mostrar em vez de contar.

Escrita com imagens

A protagonista de Gravidade, interpretada por Sandra Bullock, não é apenas uma cientista enviada ao espaço para consertar o telescópio Hubble: ela é uma mãe cuja filha pequena morreu em um acidente e que escolheu se dedicar ao trabalho (mesmo que isso signifique ir para o espaço) em vez de enfrentar seu luto. A negação, portanto, é a característica que define nossa heroína: ela se recusa a se desapegar da filha.

A ambientação do filme no espaço é altamente simbólica. Metaforicamente, ilustra a ideia de que a personagem de Bullock está tentando desesperadamente se aproximar da filha – ou seja, literalmente, "ir para o céu". Mas este mundo não é para os vivos.

Uma joia injustiçada

Cuarón se inspira aqui nos ensinamentos da mitologia (particularmente na história de Orfeu) e transforma esse mundo dos mortos em um ambiente hostil, que busca por todos os meios exterminar essa personagem que não deveria estar ali, e pertence ao mundo dos vivos.

A ideia central do filme é justapor esse simbolismo ancestral a uma abordagem psicológica mais moderna: os sete estágios do luto. Cada uma das provações superadas pela personagem pode, portanto, ser vista como uma ilustração dessa jornada, culminando no retorno à Terra, agora pronta para recomeçar a viver.

Longe de ser apenas um blockbuster, Gravidade é uma experiência cinematográfica de refinamento estonteante que consegue mesclar entretenimento com profunda poesia de forma impecável. Alfonso Cuarón é, sem dúvida, um grande autor, porque, no cinema, as imagens falam mais alto que as palavras.

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