É mais difícil o que acontece por trás das câmeras do que o que vemos na tela.
Além de servir como cenário principal para o cinema local, o Peru também foi escolhido para filmar Transformers - O Despertar das Feras, o longa-metragem dirigido por Steven Caple Jr.. O filme não apenas levou a batalha entre Autobots, Maximals e Terrorcons para a tela grande, mas também utilizou algumas das paisagens mais emblemáticas do país, desde a selva de San Martín até as alturas andinas de Cusco.
Por trás das cenas de ação e dos efeitos digitais, houve uma operação logística gigantesca que envolveu a coordenação governamental, a construção de infraestrutura em plena natureza e condições extremas para a equipe técnica e artística. No final, o que parece épico na tela, fora dela geralmente implica uma corrida de obstáculos contra a geografia, o clima e a altitude.
Filmando no meio da selva
A filmagem de O Despertar das Feras foi realizada principalmente em Cusco e San Martín. Especificamente, em Machu Picchu, a cidadela inca do século XV localizada a cerca de 2.400 metros acima do nível do mar; e também em Sacsayhuamán, o complexo de imponentes muros de pedra nos arredores de Cusco; e nas salinas de Maras. Além disso, na selva de San Martín foram filmadas sequências chave e até mesmo cenas nas cataratas de Ahuashiyacu. Por exemplo, serviram como pano de fundo para o encontro entre Optimus Prime e Optimus Primal e para parte da ofensiva contra o vilão Scourge.
Para tornar possível a filmagem nestes locais históricos e naturais, a organização PROMPERÚ articulou permissões e gerenciou autorizações com diversas entidades públicas. O trabalho conjunto incluiu o Ministério das Relações Exteriores, governos regionais e outros governos municipais e provinciais. "É a primeira vez em anos que uma logística desta magnitude é realizada, por isso foi muito importante o trabalho coordenado com instituições públicas como o Ministério das Relações Exteriores, governos regionais, prefeituras provinciais, entre outras", destacou o presidente Ricardo Limo.
Um dos maiores conflitos foi mover as toneladas de equipamento técnico para áreas de difícil acesso. Guindastes, plataformas e um technodolly - um sistema de trilhos para movimentos de câmera de alta precisão - foram transportados para o interior da selva. Bruno Canale, produtor de linha peruano, explicou assim: "Tivemos que construir pontes. Construímos estradas de madeira. Trilhas. Caminhos arrumados". Além disso, havia um médico com antídoto no set devido ao risco de mordidas de cobra.
Por outro lado, a filmagem em Cusco, a 3.350 metros de altitude, foi outro grande desafio. Muitos membros da equipe estrangeira não estavam acostumados a uma menor concentração de oxigênio na área, o que dificultava a respiração normal e o desempenho físico. Eles também tiveram que instalar plataformas estáveis no meio de rios mais profundos do que o previsto para conseguir determinadas tomadas. A isso se somou uma logística internacional que envolveu o transporte do equipamento durante meses, com envios que demoravam até dois meses para chegar ao destino.
No entanto, apesar de todas as dificuldades e obstáculos, o resultado foi uma produção que não apenas mostrou ao mundo a riqueza paisagística do Peru, mas também evidenciou o enorme esforço humano e técnico necessário para transformar esses cenários reais no campo de batalha de uma franquia global.