Críticas AdoroCinema
2,0
Fraco
Inquietos

...Mas ordinário

por Lucas Salgado

É muito fácil gostar de Inquietos. O novo filme de Gus Van Sant é tão açucarado que deveria até ser evitado por diabéticos. A história é bonitinha, os protagonistas simpáticos e o desenvolvimento correto, mas é quase inevitável não sair da sala com a sensação de que o longa poderia ser bem menos superficial.

Exibido em primeira mão no Festival de Cannes 2011, o filme gira em torno de peculiares jovens que se conhecem em um velório. A ideia era desenvolver um amor profundo, mas com prazo de validade. A produção, no entanto, falha justamente por ser muito rasa. Filho do lendário ator Dennis Hopper, Henry Hopper é o protagonista e se sai razoavelmente bem, embora seja quase sempre ofuscado pela bela Mia Wasikowska.

O casal principal muitas vezes é acompanhado por Hiroshi (Ryo Kase), uma espécie de amigo imaginário/fantasma que deve ser o personagem mais dispensável de todos os filmes de Van Sant - contando inclusive o remake Psicose.

Inquietos busca ser uma espécie de Ensina-me a Viver para a nova geração, mas em momento algum alcança a profundidade o longa de 1972. Gus Van Sant já realizou produções para grandes estúdios, mas nos últimos tempos se destacou por pequenas obras como Paranoid Park, Últimos Dias e Elefante. Até por isso, é surpreendente o quão banal é esta nova empreitada independente.

Coproduzido pela atriz Bryce Dallas Howard, que conheceu o roteirista Jason Lew nos tempos da faculdade, o filme possui uma enxurrada de clichês do cinema indie. Nomes inusitados (Enoch e Annabel), interesses bizarros (pássaros e evolução) e passatempos "alternativos" (atirar pedra no trem) são alguns dos exemplos desses clichês.

Com uma fotografia menos crua do que nos últimos filmes de Van Sant, o que deixa de lado o visual meio documental, Restless (no original) é uma sucessão de equívocos, a começar pelo título, uma vez que os personagens principais, por mais que não sejam jovens comuns, estão longe de contarem com qualquer espírito revolucionário ou de inquietude.

Ao final, resta parafrasear o título de uma das mais famosas obras de Nelson Rodrigues: Inquietos é sim um filme bonitinho, mas ordinário.