Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Um Homem de Sorte

Seguindo a fórmula

por Francisco Russo

Nicholas Sparks é um dos autores que mais vende livros na atualidade, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Hollywood, é claro, logo notou seu desempenho e passou a adaptar seus livros para o cinema. Vieram Uma Carta de Amor, Um Amor para Recordar, Diário de uma Paixão, Noites de Tormenta, Querido John, A Última Música e, agora, Um Homem de Sorte. Todos girando em torno do amor, em suas mais diversas formas. Todos seguindo uma cartilha que, a cada filme lançado, fica ainda mais explícita.

A história é focada em Logan (Zac Efron, mais uma vez demonstrando dificuldades em cenas mais dramáticas), um fuzileiro naval que serve o país em plena Guerra do Iraque. Em meio a uma batalha, ele encontra na areia a foto de uma jovem desconhecida. A partir de então passa a considerá-la um amuleto e decide que, caso sobreviva, irá procurar o "anjo", como passa a chamar a mulher retratada. Já de volta e sofrendo com traumas emocionais decorrentes da guerra, ele decide que é hora de encontrá-la. Pesquisa na internet e acha um bom palpite de onde ela possa estar. Vai até lá é pimba!, facilmente encontra Beth (Taylor Schilling, bela). Separada, com um filho pequeno e cuidando de um canil. É claro que ele será contratado por ela, não sem antes uma certa dose de desconfiança. É claro que também não contará o porquê de estar ali, afinal de contas é preciso um certo mistério na história. É claro que eles irão se envolver, apesar dos contratempos que tentarão desuni-los.

É assim, sem surpresas, que se desenrola toda a história de Um Homem de Sorte. Repleto de metáforas rasas – é preciso passar pela escuridão antes de achar a luz, referência ao período na guerra antes de encontrar o amor – e frases de efeito românticas, daquelas que parecem ter saído de um caderninho – "você devia ser beijada todo dia, toda hora, todo minuto" -, o filme segue a fórmula Nicholas Sparks também no modelo. Afinal de contas, é estrelado por dois atores jovens e belos, em um lugar repleto de belas paisagens e com uma trilha sonora suave e romântica, composta pelo veterano Mark Isham. Nada muito diferente do que boa parte de seus filmes anteriores já mostrou.

O que salva Um Homem de Sorte do tédio é o diretor Scott Hicks, que consegue transparecer a inevitável excitação decorrente do apaixonar-se. É quando Logan e Beth enfim se rendem aos encantos um do outro que o filme ganha força, por retratar bem a aproximação e o desejo velado entre eles, visível a cada cena mesmo que nada mais ousado esteja ocorrendo. Neste momento o filme, de fato, torna-se um romance ao pé da letra. Antes e depois é mera historinha baseada em sentimentos até nobres, como o amor à pátria e ao irmão, mas que carece da força que apenas uma verdadeira paixão possui.

Um Homem de Sorte é um filme desigual, que chega a ser maniqueísta na condução de certos personagens mas que agrada justamente quando consegue trabalhar a principal matéria-prima do trabalho de Nicholas Sparks: o amor. Mediano.