Dia D mostra força do cinema de Steven Spielberg: Diretor retorna aos filmes de extraterrestres com Emily Blunt brilhando
por Bruno Botelho dos SantosPoucos diretores entendem melhor a experiência cinematográfica em Hollywood que Steven Spielberg, considerado "pai do blockbuster moderno". Ao longo da sua carreira, uma das temáticas que mais lhe fascinou é do contato extraterrestre, com os filmes Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), E.T. - O Extraterrestre (1982) e Guerra dos Mundos (2005) não apenas se tornando clássicos do cinema, mas ajudando a moldar o imaginário sobre alienígenas na cultura pop.
Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. - O Extraterrestre são exemplos perfeitos da visão otimista que marca diversas obras de Spielberg, retratando os alienígenas como pacíficos e não ameaças invasoras, enquanto sua versão de Guerra dos Mundos é um reflexo sombrio do trauma coletivo nos Estados Unidos após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
Décadas depois, Dia D (2026) marca não apenas um retorno de Steven Spielberg aos filmes de alienígenas como uma espécie de conclusão temática, mas também ao cinema blockbuster, confiando mais do que nunca no poder das imagens e como elas podem transformar o mundo ao nosso redor.
Qual é a história de Dia D?
Na trama de Dia D, um especialista em segurança cibernética, Dr. Daniel Kellner (Josh O'Connor), e uma meteorologista da TV, Margaret Fairchild (Emily Blunt), descobrem uma conspiração do governo de décadas para encobrir evidências sobre a vida alienígena e seu contato com a humanidade. Eles partem em uma missão perigosa contra o líder corporativo Noah Scanlon (Colin Firth) para finalmente revelar as provas e a verdade para oito bilhões de pessoas.
Steven Spielberg retorna aos filmes de extraterrestres em busca da verdade
Dia D não se trata de uma continuação propriamente dita de Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. - O Extraterrestre, mas serve como uma sequência espiritual temática para esses dois clássicos. Enquanto a produção clássica com Richard Dreyfuss explora o fascínio da descoberta, o novo filme de Steven Spielberg aborda uma conspiração para manter essas evidências longe das pessoas e o que fazer com essa verdade escondida.
O roteiro escrito por Spielberg em colaboração com seu parceiro de longa data David Koepp (Jurassic Park - Parque dos Dinossauros e Guerra dos Mundos) passeia com fluidez por diferentes gêneros, partindo do thriller de espionagem pela conspiração governamental e um grupo pronto para revelar os segredos no melhor estilo de “a verdade está lá fora” que Fox Mulder e Dana Scully perseguiam na série Arquivo X.
Neste cenário, Dia D constrói um jogo de gato e rato cheio de tensão, com elementos de ficção científica e sequências de ação que provam como Steven Spielberg ainda é um mestre do blockbuster. Por vezes existe um excesso de informações e correria narrativa, especialmente na primeira metade do filme, mas o diretor conduz tudo de forma dinâmica pelas longas perseguições, desenvolvendo seus personagens durante a corrida conta o tempo e entrando em profundos embates filosóficos e morais sobre a revelação da verdade e seu peso. Qual seria o impacto dessas evidências de vida alienígena na sociedade: positivo ou caótico? Mas, acima de tudo, Steven Spielberg faz um manifesto de que as pessoas têm o direito de saber.
Emily Blunt entrega uma das melhores atuações da sua carreira
Indicada ao Oscar por Oppenheimer, Emily Blunt mostra todo seu potencial como atriz e entrega uma atuação impressionante em Dia D, servindo como nossa condutora pelos mistérios e conspirações da trama ao lado do personagem de Josh O'Connor. Sua personagem Margaret Fairchild começa a sofrer um despertar e Blunt nos guia pela força do olhar: inicialmente de medo e dúvida, mas progressivamente se transformando em empatia quando ela começa a entender sua missão.
É um caminho que Steven Spielberg também percorre com Dr. Daniel Kellner de Josh O'Connor, montando um quebra-cabeça que explica o propósito de seus personagens para o público enquanto eles abraçam a busca pela verdade. O olhar, que é tão fundamental e impactante na filmografia de Spielberg, é de testemunho pelo poder das imagens – tanto na trama quanto na experiência cinematográfica.
Dia D é uma experiência catártica pelo poder das imagens
Dia D é um filme sobre crenças, não no sentido religioso, mas por aquilo que se acredita. Em uma carreira marcada por cenas de encantamento no cinema, Steven Spielberg deposita toda sua fé inabalável nas imagens, no poder que elas têm de mudar o mundo.
É a partir disso que ele apresenta uma das sequências finais mais belas e impactantes de sua carreira, quando a narrativa finalmente culmina no “dia da revelação” (tradução do título original Disclosure Day). As imagens se tornam uma catarse quando as pessoas no mundo começam a testemunhar a verdade por meio das telas, seja nas televisões, computadores, tablets ou celulares. Nada mais será o mesmo, mas Spielberg nos leva pelo desconhecido sem apreensão, mas com fascinação. O que é a experiência do cinema senão esse encantamento?
"Não tenha medo do que você não conhece"
O filme revela a vida alienígena quando na verdade está falando sobre nossa própria sociedade. Em meio a tantos conflitos e guerras que tomam nossas redes sociais e noticiários diariamente, serve como um apelo à empatia, de esperança pelo futuro da humanidade. Quando o cinema e as imagens não nos trazem apenas conhecimento, mas transformação.
Vale a pena assistir Dia D?
Mesmo com clássicos incontestáveis como A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan, Jurassic Park - Parque dos Dinossauros, Os Caçadores da Arca Perdida e E.T. - O Extraterrestre no currículo, Steven Spielberg segue como um dos maiores nomes do cinema atual, prova disso foram seus últimos filmes, os aclamados Amor, Sublime Amor (2021) e Os Fabelmans (2022). Dia D é seu retorno na melhor forma ao cinema blockbuster, que ele entende como poucos desde que mudou Hollywood com Tubarão, em 1975.
O diretor conduz como um maestro as cenas de ação nas perseguições implacáveis e todo clima de tensão e suspense pelas conspirações e mistérios de ficção científica. Ao mesmo tempo, emociona quando mergulha profundamente no drama humano – e, nesse caso, extraterrestre. O poder das imagens ganha força como nos melhores momentos da filmografia de Spielberg. Impossível não se emocionar e ficar encantado…