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    Relembre casos recentes de embranquecimento em Hollywood
    Por João Vitor Figueira — 2 de set. de 2017 às 09:32
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    Prática é tão antiga quanto a própria indústria cinematográfica, mas ativismo de atores e cinéfilos tem discutido a falta de legitimidade de atores brancos para papéis de personagens de etnias minoritárias.

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    Johnny Depp como Tonto em O Cavaleiro Solitário (2013)

    Em O Cavaleiro Solitário, Depp foi recrutado para interpretar um personagem indígena que já havia sido estereotipado na série As Aventuras do Zorro, o Cavaleiro Solitário (1949 - 1957), mesmo sendo interpretado por um nativo americano legítimo, o ator Jay Silverheels. Com uma caracterização bizarra, o ator branco defendeu sua participação no filme alegando ter ancestrais da tribo cherokee, apesar de nunca ter provado sua ancestralidade indígena e descender de ingleses e franceses.
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    "É nossa responsabilidade tomar decisões morais em tempos difíceis e dar voz a inclusividade", comentou o ator Ed Skrein, que foi notícia na última semana após desistir de um papel na nova versão de Hellboy. A atitude do ator de Deadpool foi tomada após ele descobrir que o personagem que ele foi contratado para interpretar o Major Ben Daimio, de ascendência japonesa.

    "Está claro que a representação deste personagem de uma maneira culturalmente precisa tem significado para as pessoas, e que negligenciar essa responsabilidade continuaria uma tendência preocupante para obscurecer histórias de minorias étnicas e dar voz a elas nas Artes. Eu sinto que é importante honrar e respeitar isso. Portanto, decidi desistir para que o papel possa ser escalado adequadamente", explicou Skrein, que é inglês e vem de uma família de judeus austríacos.

    A recisão de Skrein e a divulgação de sua carta aberta ganharam as manchetes da imprensa especializada por ser um raro caso em que a reação dos fãs na internet contra o embranquecimento de um personagem em Hollywood causou uma mudança real no estado das coisas. Especialmente em um ano como 2017.

    Duas adaptações americanas para animes/mangás impulsionaram o debate sobre o "whitewashing" nos últimos meses: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell, versão de O Fantasma do Futuro, e Death Note, longa da Netflix que é uma versão americana repleta de liberdades criativas da cultuada série animada de mesmo nome. No caso de Ghost in the Shell, a controvérsia na escalação de Scarlett Johansson para o papel principal foi tão grande que a Paramount teria assumido que isso prejudicou o desempenho do filme nas bilheterias e com a crítica.

    A prática de embranquecimento em Hollywood vem de longa data, passando por representações grosseiras como o blackface de Laurence Olivier para viver Othello (1965) e grosseiro personagem asiático interpretado por Mickey Rooney em Bonequinha de Luxo (1961). 

    Mesmo em casos menos gritantes e vulgares, o whitewashing persiste e representa um empecilho a uma maior diversidade na representação da experiência humana na sétima arte. Quando um personagens não-branco é vivido por um ator branco, perde-se a chance de alcançar mais autenticidade em uma performance e valorizar o trabalho de minorias que historicamente foram deixadas em segundo plano em Hollywood. 

    Um estudo da Universidade da Carolina do Sul publicado em 2016 avaliou mais de 400 filmes e séries de TV lançadas nos Estados Unidos um ano antes e concluiu que apenas 28.3% dos personagens com falas eram de grupos raciais e/ou étnicos não-brancos (negros, hispânicos, asiáticos, nativos, etc), enquanto tais grupos representam quase 40% da população do país. Apenas 7% dos filmes analisados apresentaram um elenco que refletisse a realidade da diversidade racial/étnica americana. Entre as séries o índice sobe para 19%.

    No slideshow no início desta notícia, relembre filmes recentes que contaram com atores brancos em papéis de personagens de outras etnias.

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    Comentários
    • Cayo Cesar
      Eu só quero que os personagens sejam representados nas suas respectivas etnias. Estelar ficou uma bosta assim como essa Katara e esse Sokka. N tem pq mudar etnia de personagens, é só representar os que já existem ou criar novos. Wakanda no UCM, Milles Morales, Coração de Ferro, John Stewart, ... Oq mais tem ai é possibilidade de representatividade, mas o pessoal ta mesmo atrás da treta...
    • Aerith Gainsborough
      Não vejo nenhuma matéria hoje em dia falando dos vários e vários filmes onde estão colocando atores negros para viver personagens que são originalmente brancos, não da mais pra levar o jornalismo a sério hoje em dia, depois se perguntam o motivo de hoje em dia a população ser negacionista sobre várias pautas, a culpa é toda de vocês que mandaram a credibilidade e a imparcialidade pro caralho, o jornalismo morreu faz tempo, o ativismo político tomou o seu lugar.
    • Vanderlei Oliveira
      Ah, vão pra puta que os pariu! Fizeram uma pá de remakes com atores negros no lugar de brancos e ninguém falou nada. O contrário não pode? Falta de assunto ou tentativa de chamar atenção pra essa merda de página?
    • Agud
      Goku do High School Musical ficou ruim SIM. Foi uma das piores coisas no filme.
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