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    Festival de Gramado 2017: Camila Pitanga presta emocionante homenagem ao pai, Antonio Pitanga
    Por Renato Hermsdorff — 24 de ago. de 2017 às 15:35
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    “E vou estar sempre atrás de você como uma menina de sete anos que ficava vendo dos bastidores o seu encanto”.

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    Beirando os 60 anos de carreira, com quase 70 filmes no currículo, tendo estrelado o primeiro (Barravento, de 1962) e o último filme (A Idade da Terra, 1980) de Glauber RochaAntonio Pitanga tem uma história que se confunde com a própria história do cinema nacional. E foi um pouco (a parte que foi possível editar) dessa trajetória o que o Festival de Cinema de Gramado resgatou ao homenagear o ator na noite desta quarta-feira, 23.

    Ansioso, quase queimando a largada na hora de subir ao palco, quando enfim se pôs sob os holofotes do Palácio dos Festivais, Pitanga quebrou o protocolo e chamou a filha, Camila Pitanga, para o microfone.

    A estreia nos cinemas em Bahia de Todos os Santos, como o personagem Pitanga, que viria a rebatizá-lo artisticamente
     
    “A gente está vivendo num país num um retrocesso imenso”, introduziu a atriz. “E estamos falando de um homem que resistiu e resiste hoje com amor, com alegria, amizade. A gente está falando de uma geração que não teve medo de mostrar a cara e está aí, lutando de novo”, ela disse, proclamando a união das pessoas em tempos de racha político.

    Generoso, o homenageado, que recebeu o troféu Cidade de Gramado das mãos do prefeito, Fedoca, tirou (literalmente) o chapéu para a cidade, para discursar inflamado: “Eu sou Leon Hirszman, eu sou Cacá Diegues, eu sou Glauber Rocha, eu sou Roberto Pires, eu sou Antonio Carlos Fontoura, eu sou Walter Lima Júnior, eu sou Ruy Guerra, eu sou Anselmo Duarte, eu sou Dib Lutfi. Quando vocês me homenageiam, estão homenageando todo esse cinema brasileiro”.

    Divulgação
    No documentário sobre a própria vida, dirigido pela filha, Camila, em parceria com Beto Brant

    “O cinema me deu esse instrumento socializador, que me dá o passaporte para uma cidadania justa e correta: ‘você vai ser Antonio Pitanga Luiz Sampaio!’. Eu poderia ser um 'capitães de areia', mas o cinema me trouxe todo um processo de uma consciência política e cultural”, completou.

    Não teve jeito. A plateia, que ocupou os mais de mil lugares da sala, se levantou e aplaudiu de pé.

    E, se faltava alguém chorar, Camila pôs os durões à prova: “eu te amo acima de qualquer coisa e vou estar sempre te aplaudindo. E vou estar sempre atrás de você como uma menina de sete anos que ficava vendo dos bastidores o seu encanto. Obrigada, pai”.

    “Nesta noite eu sou criança, eu sou jovem”, resumiu a estrela da noite.

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