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    Porta do Fundos - Contrato Vitalício: Eles perdem o patrocinador, mas não perdem a piada
    Por Renato Hermsdorff — 31 de jan. de 2016 às 08:22
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    Um dia no set do aguardado filme do Porta dos Fundos.

    Rafael Portugal
    5. Rafael Portugal +
    Estreando nos cinemas, o novato da trupe dá vida a Paulo, um ator que, "estimulado" pelo trabalho da preparadora de elenco, passa a acreditar que realmente é um E.T.
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    Vamo lá, galera, no três. Um, dois, três: eu uso Naikiiiiiiiiii [Nike]”, assim a blogueira famosa fitness Fernanda (Thati Lopes) puxava uma selfie coletiva na cena de Porta dos Fundos – Contrato Vitalício (uma forma atualizada de pedir “digam xis”), que o AdoroCinema acompanhou em uma mansão localizada no Joá, bairro nobre de classe alta da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, na última segunda-feira.

    Acompanhando tudo de perto, ao lado do diretor, Ian SBF, a produtora Tereza Gonzalez fez questão de deixar claro, com um flash de ironia: “A gente adora citar marcas sem ganhar nada em troca. Isso não é um merchan, viu?”

    Rachel Tanugi Ribas
    Miguel e Rodrigo recebem o prêmio em Cannes (Na verdade, na Cidade das Artes mesmo, onde a cena foi rodada)
    Menos de uma semana antes, Ian comentava em seu perfil no Intagram a notícia de que as sátiras a marcas deixaram a 3ª temporada de Tá no Ar: A TV na TV sem patrocinadores: “Ótimo!!! É muito bom ver uma empresa como a Globo também privilegiar a qualidade e não apenas os patrocinadores. Às Vezes, não dá para ter os dois”.

    A cena – e o relato – diz muito da maneira original e debochada como o grupo opera - e capta. “Aqui funciona assim: eu recebo um roteiro, as marcas estão lá. Elas existem dessa maneira, é a vida como ela é. E isso é legal porque tem muita verdade”, explica Tereza, que se uniu ao grupo há pouco mais de um ano, trazendo a experiência como produtora executiva de filmes como Orfeu, Lisbela e o Prisioneiro, Paraísos Artificiais.

    No Porta, ela entrou para “cimentar um chão de laminha”, como gosta de dizer. É claro que a profissional, ainda mais pela natureza do cargo, não rasga dinheiro: “Se temos um patrocinador, a gente transforma isso numa piada, então, não vira uma exposição de marca propriamente, mas uma diversão” - tanto para o público, como para o apoiador.  Prova disso é a esquete “Na lata” – aquela em que a moça procura uma lata de Coca-Cola com seu nome. Depois do sucesso do vídeo, a empresa de refrigerantes virou patrocinadora do canal.

    A Ancine liberou a captação de R$ 7,3 milhões de reais para a realização de Contrato Vitalício. Financiado pela Paramount e Telecine, o filme tem verba do Funcine, além de investimento próprio e está em negociação para o patrocínio de uma grande empresa (que Tereza ainda não pode revelar qual).

    Às vezes eu brinco no set: ‘mais um gritinho!’, só pra eu vender mais uns ingressos. Mas nem me preocupo. Porque esses meninos fazem o que querem. Pra se divertir”, ela garante.

    Eu uso óculos.
    Fábio Porchat
    Lorenzo (Marcos Veras), o repórter de celebridades da Tititi, que acaba virando assessor de imprensa do filme, migucha com Ulisses (Luis Lobianco), o empresário bem intencionado (e perdido) de Rodrigo (Porchat)
    No filme, o promissor cineasta Miguel (Gregorio Duvivier) ganha um importante prêmio no Festival de Cannes com um filme protagonizado por Rodrigo (Fabio Porchat). Lá pelas tantas, já bêbados de tanto comemorar, o jovem ator assina um “contrato vitalício” com o diretor, com firma num guardanapo, se comprometendo a atuar em todas as produções de Miguel.

    Acontece que o cineasta some do mapa (terrestre) e, quando retorna uma década depois, alega que foi abduzido por alienígenas. Seu projeto agora é filmar o que aconteceu nesse período, e Rodrigo, agora um bem-sucedido ator, não vai ter como escapar.

    O que eu mais gosto dessa história é que ela é uma história. Muitas vezes, quando a gente vê uma comédia, fica preocupado só com a risada, e o que conduz, que é o mais importante num filme, não acontece”, opina SBF, autor do argumento, desenvolvido em roteiro por Fábio Porchat e Gabriel Esteves.  
    Só o meu personagem pensa que é uma maluquice. Todo mundo acha que é uma metáfora”, completa Porchat. "O legal é que em nenhum momento a gente diz que sim ou não. Ele pode ter ido para o centro da Terra”.

    Eu não enxergo nada nas cenas”, emenda Gregório, que usa óculos com lentes de oito graus. Foi ele mesmo que pediu o adereço. “Porque dá uma profundidade, muda tanto o olho, como minha visão. Então, você vê as pessoas meio que como de outro planeta mesmo”, justifica, engatando um papo sobre OVINI´s (que ele diz estudar wikipedianamente) e seres reptilianos (Lula e a Rainha da Inglaterra seriam exemplos dessa espécie, que mistura humanos e répteis).

    Eu uso algodão.
    Rachel Tanugi Ribas
    A blogueira famosa fitness Fernanda (Thati Lopes), que namora Rodrigo (Porchat), toda bafônica.
    Faz pelo menos três anos que se especula sobre um filme do Porta – que, inclusive, chegou a ter um teaser com o Compadre Washington divulgado na Comic Com Experience de 2014. Apesar dos oito tratamentos pelos quais o texto passou, os realizadores só contam pra valer o período de janeiro de 2015 para cá, quando finalmente chegaram na versão final do texto.

    Na segunda semana (de um total de cinco), a ordem do dia de filmagem girava em torno de uma leitura de roteiro. Não exatamente do roteiro de Contrato Vitalício. Mas o texto de "A Batalha de Klinglonfland" (ou seja, do filme dentro do filme).

    Na segunda cena do dia, Thati, cheia de algodão na boca para simular a aplicação de botox, repetia: “Tá tudo ótimo, a vida é incri. Um garoto no Insta falou que eu tou igual ao Fofão”, e bufava uma risada sem graça.

    Depois de repetir a fala um tanto de vezes, até machucar o interior da boca – enquanto a equipe nos bastidores se esforçava para rir baixo –, Ian insistia: “Deixa a boca o mais mole que você puder”, no que Porchat arrematava: “Isso vale pra vida, tá Thati?”.  

    Rafael Portugal que, ao lado da atriz, compõe a dupla de novatos na trupe, resumiu, em seu primeiro papel no cinema: “Minha preocupação é não me acostumar com esse clima. Porque eu sei que nem sempre vai ser assim, se eu for chamado para fazer outro filme”.

    Contrato Vitalício tem previsão de estreia em 30 de junho – com participações de Marília Gabriela, Sergio Mallandro, do cantor Naldo e o apresentador Nelson Rubens. Mas sem Compadre Washignton, que, segundo Gregório, “Está fazendo laboratório em Los Angeles. Parece que tá fazendo Scorsese, eu acho”.

    Divulgação
    Gregório, Porchat, Lobianco e o clima descontraído dos bastidores.


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