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    Bridgerton: O que representa a escalação de atores negros na série da Netflix?
    Por Katiúscia Vianna — 29 de dez. de 2020 às 13:17
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    Produzida por Shonda Rhimes, Bridgerton causou nas redes sociais ao escalar Regé-Jean Page como protagonista.

    Primeira parceria da Netflix com a premiada produtora Shonda RhimesBridgerton está fazendo sucesso na plataforma, entrando para a lista de projetos mais populares do serviço. Aqui no AdoroCinema, a situação não é diferente, considerando como seus protagonistas estão dentre as personalidades mais acessadas do site. Porém, a obra ainda é foco de diversos debates por escalar um elenco diversificado.

    Bridgerton: Crítica da 1ª temporada da série da Netflix

    Até o momento, a maioria das produções de época contavam somente com atores brancos (vide a maioria das adaptações de livros de Jane Austen, por exemplo), mas isso vem mudando aos poucos. Em Bridgerton, o duque Simon de Hastings é vivido por Regé-Jean Page, enquanto (ninguém mais, ninguém menos que) a rainha Charlotte é interpretada por Golda Rosheuvel — ambos atores negros.

    Mas isso não é exclusividade da série de Chris Van Dusen. Obras como The Spanish Princess, SanditonThe Great e o filme Duas Rainhas surgem com tal proposta em seus respectivos elencos. Ou como esquecer daquela versão clássica de Cinderela com Brandy e Whitney Houston?

    Rainha Charlotte em Bridgerton.

    Para quem não sabe, isso tem nome: color-blind casting. Segundo sua definição oficial, trata-se de uma escalação que não considera a raça dos atores, pois seu principal foco é o talento de cada candidato. O mesmo vale para diferentes orientações sexuais, formas de corpos, deficiências e gêneros. A ideia é abrir o leque de possibilidades de trabalho para minorias, além de aumentar a representatividade na cultura audiovisual. 

    Um exemplo recente bem-sucedida disso surgiu em Hamilton, popular musical da Broadway que se transformou em filme no Disney+ — confira a crítica do AdoroCinema. Apesar de retratar figuras históricas brancas em sua história, o elenco é quase todo formado por pessoas de cor (inclusive, o único ator branco do elenco original era justamente o alívio cômico da peça). Diante disso, três de seus atores negros venceram o Tony Awards em 2016

    Hamilton: De onde você conhece o elenco do musical?

    Criador de HamiltonLin-Manuel Miranda explicou que sua decisão na escalação do elenco surgiu como uma forma da "América de hoje representar a América de ontem". Uma justificativa semelhante surge para a equipe de Bridgerton, "Nós tentamos imaginar história e o mundo da maneira que queremos ver", disse a produtora executiva Betsy Beers.

    O elenco de Hamilton.

    Como tudo nessa vida, color-blind casting não é unanimidade. Alguns acreditam que fazer isso é uma imprecisão histórica — mas é preciso considerar que sempre existiram pessoas de cor, mas a história foi controlada por um patriarcado focado na comunidade branca. (Tendo dito isso, alguns historiadores apontam que a rainha Charlotte realmente tinha descendência africana, então Bridgerton não estaria "errado" assim...) Sem falar que estamos falando de obras de ficção, não livros de história, né?

    Opinião: Precisamos falar sobre preconceito contra minorias em séries de TV

    Ao mesmo tempo, outros criticam que não adiantam apenas colocar pessoas de cor para contar histórias de brancos; é preciso dar voz para as comunidades de minorias contarem seus próprios legados. Um questionamento louvável, é preciso dizer. Porém, a conscientização na hora de escalar atores negros, asiáticos, indígenas e outras cores promove uma representatividade inegável nas telinhas e telonas. Essas narrativas e esses gêneros pré-existentes precisam abrir espaço para novos grupos. Inclusive, já passou da hora!

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    Comentários
    • Duke
      Esse elenco parece jogral de escola, ridículo
    • Paulo Gomes
      Os teatros de ópera do mundo inteiro tem elencos compósitos há décadas. Lembremos de Camila Wilson, norte-americana que fez carreira internacional a paartir dos anos 1940, Gracy Bumbry, que cantou em Bayreth em 1961 (o templo de Wagner), Leontyne Price, nos E.U.A. e na Europa desde os anos 1950 e também a brasileira Maria D'Aparecida, estrela da ópera de Paris nos anos 1960/70, entre tantos outros cantores e cantoras. Não há nenhuma novidade de personagens brancas serem encarnadas na ópera por cantoras e cantores negros ou orientais. Não vejo razão para tanto espanto somente, talvez, um preconceito firmemente arraigado no público de cinema e televisão.
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