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    Desalma: Crítica da série do Globoplay
    Por Vitória Pratini — 6 de nov. de 2020 às 18:51
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    Mistérios demoram a engrenar mas direção de arte rouba a cena na série de suspense sobrenatural.

    Nota: 3,0 / 5,0

    Se há um gênero de séries de TV que têm feito bastante sucesso é o que engloba terror, suspense e sobrenatural. Basta ver os recentes fenômenos que têm sido A Maldição da Mansão BlyDark e os brasileiros Boca a Boca e Reality ZDesalma não faz diferente. A produção original do Globoplay aposta em um visual primoroso e em mistérios sobrenaturais que deixam os espectadores presos no sofá até o final, apesar de demorar a engrenar seu enredo.

    Estrelada por Cássia KisClaudia Abreu e Maria Ribeiro, a trama de Desalma é ambientada em Brígida, cidade fictícia no sul do Brasil, formada por uma colonização ucraniana. Um local onde a crença em bruxas, assombrações e no extraordinário é posto à prova a todo momento. Em 1988, o assassinato da jovem Halyna (Ana Melo) choca a população da cidade, tanto que a tradicional festa de Ivana Kupala, onde ocorreu a morte, é banida do calendário festivo. Trinta anos depois, a população se prepara para trazer a celebração de volta, mas novos acontecimentos enigmáticos passam a assustar a comunidade.

    Globo/Estevam Avellar
    Série se torna mais envolvente a partir da metade da temporada

    Exibida no Festival de Berlim, Desalma vai e volta entre os eventos de 1988 e 2018, enquanto mistérios vão se desenrolando ao longo de dez episódios. A história é interessante, mas peca por diálogos muito explicativos e repetitivos na primeira metade da temporada, que deixam pouca margem para interpretação do público (afinal, já entendemos que a festa de Ivana Kupala vai acontecer em alguns dias e não deve ser coisa boa!). A partir do quinto capítulo, onde os espectadores já estão ambientados na trama e nos termos ucranianos, Desalma se torna mais envolvente (e garante alguns sustos).

    Disney+ e Globoplay poderão ser assinados juntos

    O roteiro da premiada escritora Ana Paula Maia, que assina sua primeira obra audiovisual, “pega no tranco” aos poucos. Não há dúvidas que a mitologia de Desalma — inspirada nas culturas ucraniana e eslava — é riquíssima e que Maia, estudiosa do gênero do terror, tenha gerado um universo interessantíssimo. Só que a série demora a engrenar.

    Tal problema dos diálogos é agravado por uma atuação superficial do elenco jovem. Afinal, para se fazer uma série sobre o extraordinário é preciso passar veracidade nas atuações. Em Desalma, talvez tenha faltado esse cunho dramático, emotivo. Ainda que esse tom de interpretação frio — sem ser teatral ou naturalista — tenha sido uma escolha artística da produção e do diretor Carlos Manga Jr., não beneficiou a série.

    Globo/Estevam Avellar
    Maria Ribeiro, Cássia Kis, Claudia Abreu e Ana Melo entregam ótimas atuações.

    O destaque positivo das atuações fica por conta do elenco feminino: as veteranas Cassia Kis, Cláudia Abreu e Maria Ribeiro dominam as cenas em aparecem, e têm uma troca incrível quanto aparecem juntas na tela. Por outro lado, Ana Melo brilha como Halyna. Já entre os atores mirins, João Pedro Azevedo é uma revelação como Anatoli.

    Arte e som garantem atmosfera de medo
    Globo/Estevam Avellar

    O “clima” frio proposital das atuações acompanha não só a temperatura baixa do sul do nosso país, mas também a belíssima estética da série. A excelente direção de arte de Desalma constrói uma atmosfera de mistério e medo, como nos clássicos filmes de terror. O design de som equilibra muito bem as falas e o silêncio, tendo tido consultoria do sonoplasta alemão Alexander Wurz, que trabalhou na elogiada Dark.

    Lançamentos da Globoplay em novembro

    Já renovada para a segunda temporada, Desalma é uma série brasileira para ser exaltada. Sua trama envolvente, misteriosa e assustadora têm grande potencial, basta passar os momentos iniciais de explicações demasiadas. Que comecem as teorias para o novo ano da produção!

     

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