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    Emily em Paris: Crítica da série da Netflix
    Por Barbara Demerov — 1 de out. de 2020 às 16:41
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    Primeira temporada de 10 episódios conta com Lily Collins como protagonista.

    NOTA: 3,5 / 5,0
    ATENÇÃO! A crítica abaixo contém possíveis spoilers da série.

    Emily em Paris se enquadra naquele tipo de produção feita para "aquecer o coração" de seus espectadores. Seja por conta da escolha da protagonista, Lily Collins, ou do cenário em que toda a história se passa, a série cativa com facilidade por ter os mesmos ares de produções ligadas à moda, à rotina de trabalho e a um estilo de vida dinâmico e interessante. O Diabo Veste Prada, Os Delírios de Consumo de Becky BloomDe Repente 30Sex and the City são bons exemplos, sendo que este último não é apenas mera coincidência. 

    O criador da série com Carrie Bradshaw, Darren Star, é quem deu vida a Emily em Paris. Com isso, há diversas semelhanças entre ambas as produções - que não incluem apenas os elementos citados acima como também o foco no romance e no amadurecimento interno. Na pele da jovem que vê sua vida se transformar rapidamente ao se mudar de Chicago a Paris, Lily Collins entrega ótimas nuances de uma pessoa que aprende a expandir seus horizontes (literalmente).

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    Desde o início, a série entrega um tom que mescla comédia e leves toques de drama, especialmente pela maneira como Emily ganha a oportunidade de trabalhar por um ano em Paris e como seu relacionamento sério lida com a distância. Em meio ao novo trabalho em uma agência com clientes de luxo, comprada pela empresa norte-americana na qual trabalha, a protagonista aprende a sair um pouco de sua bolha em situações cotidianas - por exemplo, ela nem chegou a pensar em cruzar o Atlântico sabendo falar o mínimo de francês, mas se esforça para reverter isso prontamente.

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    Nos primeiros episódios, o espectador acompanha as aventuras diárias de Emily e, apesar de não saber muito como foi a jornada pessoal da personagem até chegar ali, conhecer sua nova rotina não é um impeditivo para se afeiçoar a ela. Collins se dedica em trazer complexidade à personagem, por mais que o roteiro traga diversas situações facilmente consideradas clichê. Ao tentar lidar com sua nova equipe de trabalho, o delay na compreensão do idioma, a imagem profissional que busca passar à sua chefe e o início de diversas relações - seja no campo da amizade ou do amor -, Emily em Paris constrói sub-tramas fluidas, que não se perdem ao longo da temporada.

    Com uma gama diversificada de personagens e a inserção de breves tramas no estilo "episódio da semana", a série poderia se perder, mas não é o caso. Pelo contrário, tais acontecimentos auxiliam no desenvolvimento de personagens secundários e de possíveis ganchos para uma próxima temporada.

    Apesar de sempre ter um pé no clichê ou na resolução simples de certas situações, a série cativa pelo clima leve que combina tudo o que está à sua volta. Inclusive, o figurino (como os trailers e materiais de divulgação já indicavam) é impecável e traz bastante graciosidade à história. O mesmo pode-se dizer da relação entre Emily e alguns personagens-chave, como sua chefe Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu), seu vizinho Gabriel (Lucas Bravo) e sua Camille (Camille Razat).

    A relação funcionária-chefe apresentada em Emily em Paris traz resquícios de O Diabo Veste Prada, mas não de uma forma cansativa por usufruir da mesma fórmula de Miranda Priestly. Aos poucos, Sylvie vai nutrindo confiança em Emily e vice-versa. Já na vida social da protagonista, o acaso está sempre em destaque - especialmente pelo fato de Gabriel, interesse amoroso de Emily, ser o namorado de Camille. A produção não esconde sua intenção de continuar sua narrativa em mais temporadas, e, por isso, as idas e vindas neste campo vão ficando cada vez mais expostas.

    Emily em Paris entrega um primeiro ano consistente em sua proposta de entretenimento descontraído, feito para uma boa maratona. De certa forma, Darren Star revive um gênero que ainda faz sucesso e tem potencial para se sobressair em meio às opções de streaming, visto que produções cinematográficas e televisivas que seguem os ingredientes utilizados aqui estão cada vez mais escassas. Com alguns ganchos para manter o interesse do espectador, Emily em Paris se aproveita de elementos irresistíveis com muito bom-humor.

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