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    Killing Eve: Crítica da 3ª temporada
    Por Vitória Pratini — 2 de set. de 2020 às 16:17
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    Série do Globoplay entrega bom entretenimento com Jodie Comer e Sandra Oh mas não consegue alcançar primor de seus primeiros anos.

    Nota: 2,5 / 5,0

    Não se pode negar que a força motriz de Killing Eve tem sido, desde o início, a fixação de Eve (Sandra Oh) por Villanelle (Jodie Comer) e vice-versa. Em sua primeira temporada, Phoebe Waller-Bridge (Fleabag) construiu um jogo de gato e rato envolvente e com duas protagonistas que agiam de igual para igual. Com sua saída, Emerald Fennell (Promising Young Woman) assumiu o comando do segundo ano e tentou sem muito sucesso recapturar a dinâmica entre as duas personagens. Já em sua terceira temporada, a premiada produção teve direção de Suzanne Heathcote (Fear the Walking Dead).

    Villanelle > Eve
    Globoplay

    Enquanto a showrunner não conseguiu retomar a excelente troca entre as protagonistas, pôde trazer um tom de ar fresco, pelo menos para Villanelle. Ao acreditar que Eve estava morta, ela teve a chance de observar seu passado a fim de seguir em frente, rendendo um dos melhores episódios da temporada só para si: “Are You from Pinner?”. E mesmo depois que as duas se reencontraram, a personagem de Comer ainda teve um dos arcos mais completos da série.

    Eve, porém, ficou presa em seus dilemas anteriores e não recebeu dos roteiristas a chance de evoluir (nem tampouco de regredir). Além de quase ser morta por Villanelle na temporada anterior, a personagem de Sandra Oh perdeu não só o emprego, mas também o marido e teve o gosto de matar pela primeira vez — ato que se repete nessa temporada. No fim, percebemos que Eve segue presa à sua obsessão por Villanelle, o que seria até interessante se não fosse a única coisa coisa relevante sobre a personagem. Oh continua brilhando, é claro, mas não por causa da ajuda do roteiro.

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    Globoplay
    O que deu certo antes, continua funcionando agora...

    É curioso que o que dá certo para a série, disponível no Globoplay, é justamente o que já conhecemos desde o início: o relacionamento de anos entre os personagens, como a dinâmica (embora empobrecida) entre Eve e Villanelle; a relação entre Carolyn (Fiona Shaw) e Konstantin (Kim Bodnia), e entre este e a personagem de Jodie Comer. É um deleite vê-los em tela.

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    Globoplay
    Novos personagens são maçantes

    No entanto, os novos personagens coajuvantes apresentados — por exemplo, Dasha (Harriet Walter), Geraldine (Gemma Whelan) e Bear (Turlough Convery) — ou mesmo as inovações na trama, como a tal “publicação online” que eventualmente se dedica a investigar os Doze, são pouco cativantes. O novo é maçante e enfadonho. O enredo, um tanto quanto esvaziado, funciona em função de Eve e Villanelle protagonistas e não o contrário, fazendo com que diversas cenas soem como forçadas, ou um passo em falso. Kenny (Sean Delaney), coitado, que o diga!

    Globoplay

    Até mesmo o ato de assassinar se tornou banal no enredo de Killing Eve. Não só os matadores profissionais seguem fazendo este trabalho, mas qualquer personagem consegue essa proeza e nem mesmo sofre com isso depois. É o caso novamente de Eve e de Irina (Yuli Lagodinsky), cujo arco desnecessário e mal aproveitado foi apenas um meio para alavancar o segmento envolvendo Konstantin.

    Embora Killing Eve tenha tentado inovar em alguns aspectos, como o uso das cartelas dos locais de forma mais criativa e inserindo, pela primeira vez, uma abertura, pecou em outras questões. Enquanto a fotografia, direção e figurinos continuam com a excelência de sempre, a montagem deixou a desejar e inclusive confundiu em alguns momentos. Um dos destaques positivos, porém, é a cena final da temporada que mostra a despedida das duas personagens na ponte.

    Globoplay
    Eve vai voltar a brilhar na quarta temporada de Killing Eve?

    Killing Eve segue sendo um bom entretenimento, mas sofre por ter que corresponder a uma primeira temporada brilhante. Mesmo com todos os problemas, a trama é coroada com ótimas atuações não só de Jodie Comer e Sandra Oh, mas também de Fiona Shaw e Kim Bodnia. E é inevitável que uma série com personagens tão cativantes — pelo menos os que acompanhamos desde o primeiro ano — acabe tendo uma antagonista mais interessante que a protagonista. Porque sim, Villanelle é uma das personagens mais marcantes e estilosas da televisão atualmente. Esperamos que a quarta temporada consiga superar seus erros e olhar às origens em termos de qualidade.

    As três temporadas de Killing Eve estão disponíveis no Globoplay.

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