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    Dark: O papel de Helene Albers na 3ª temporada da série da Netflix
    Por Barbara Demerov — 29 de jun. de 2020 às 16:51
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    Uma análise dos dois lados da maternidade na série alemã.

    SPOILERS DA 3ª TEMPORADA DE DARK ABAIXO.

    Além da ciência e das viagens no tempo, Dark também pode ser reconhecida como uma série que fala amplamente sobre relações humanas. Desde a procura de pais desesperados por seus filhos em outras linhas temporais, a ligação emocional entre Jonas e Martha até os relacionamentos extraconjugais, a produção alemã também se apoia na complexidade do ser.

    É por isso que o espectador pode se surpreender bastante com algumas reviravoltas da 3ª e última temporada. Mais do que nunca, a ligação entre mães e filhos possui bastante atenção. Não só descobrimos que Martha e Jonas tiveram um filho que ajuda Eva (versão mais velha de Martha) a atingir seu ideal de mundo, como também vemos o apego de Hannah por um filho concebido em outra época e a perseverança de Katharina em reencontrar Mikkel e Ulrich em 1986.

    No entanto, há uma personagem que vai na contramão dos sentimentos afetuosos exibidos na série - cujas escolhas, baseadas no amor fraternal, movimentam bastante a narrativa. A mãe de Katharina, Helene Albers, pode não aparecer em tantos episódios da 3ª temporada, mas possui um papel importantíssimo que se relaciona ao pingente de São Cristóvão e à vida da própria filha.

    CONTRASTES MATERNAIS

    Além do fato de Helene assassinar Katharina em 1986 em uma cena chocante (nos moldes do que Ulrich tentou fazer com Helge Doppler, atacando-o com uma pedra), a personagem também possui uma ligação com a própria Hannah. O cenário no qual elas acabam se conhecendo - uma clínica de aborto nos anos 50 - demonstra o contraste entre as personagens: enquanto Hannah (que diz se chamar Katharina) desiste da operação, Helene vai em frente e aborta seu primeiro filho.

    Mas, além de a personagem ter apenas 12 anos na ocasião, ela também se revela como alguém que possui fé em algo: mais tarde, quando escolhe ter uma filha, Helene dá o nome à criança de Katharina, demonstrando mais um passo acertado no ciclo. Contudo, em ambos os mundos, Helene não é uma mãe carinhosa.

    Assim como vários comportamentos se repetem (por exemplo, a infidelidade de Ulrich), isso também acontece nesta relação entre mãe e filha. Mas, seguindo passos contrários, Katharina se mostra uma boa figura materna para Martha, Magnus e Mikkel em ambos os mundos (mesmo que em um deles acabe deixando Martha e Magnus para buscar o caçula no passado).

    Apesar de o pingente de São Cristóvão só se tornar um símbolo entre Martha e Jonas por conta da morte de Katharina, evento que fecha este ciclo ao longo dos anos, o ato continua sendo brutal. É possível que Helene tenha reconhecido sua filha na versão adulta, mas também há um sentimento de culpa quando Katharina lhe chama de "mamãe" enquanto a persegue pela floresta. Quando Helene diz: "Eu te abortei" isso fica ainda mais claro - e o modo como executa tal ato fica mais latente por conta da culpa que guardou por tanto tempo. Para a religiosa Helene, Katharina é como uma punição enviada do inferno para a lembrar de algo que fez graças ao livre arbítrio.

    Com este dramático arco na 3ª temporada, Dark tem a intenção de nos mostrar a maternidade em dois contrastes: o de mães que se preocupam com suas famílias, fazendo tudo por elas, e o de uma mãe em específico que fez algo por si mesma (enquanto ainda era uma criança), mas que ainda atribui a si uma boa parcela de culpa. O relacionamento arredio que Helene possui com sua filha é um reflexo do que ela mesma cometeu no passado; mas a própria série não executa um papel que culpabiliza a mãe por um aborto, pois até mesmo o mais cruel dos atos faz parte do ciclo. Se o amor fala alto, o remorso o faz mais ainda - e, na trama, isso também faz parte da evolução.

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