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    O que aconteceu no final de Dark?
    Por Barbara Demerov — 27 de jun. de 2020 às 10:05
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    Se você ficou com um nó na cabeça, confira a explicação do final da série da Netflix que estreou a terceira e última temporada neste sábado.

    SPOILERS ABAIXO!

    A última temporada Dark finalmente está entre nós! A série nos trouxe diversas questões que foram respondidas ao longo dos oito episódios. Mas, ainda assim, o desfecho da produção possui tantas informações intrigantes que é inevitável refletir ou criar teorias sobre o que realmente pode ter acontecido.

    Por isso, se você ficou com um nó na cabeça após ter terminado de assistir à série, não se preocupe. Abaixo, explicamos os eventos do episódio final de Dark e todo o significado por trás deles - até porque não é possível falar apenas sobre a cena final sem explicar como chegamos até ela. Atenção: Esse conteúdo tem spoilers!

    O MISTÉRIO REVELADO AMPLIA AINDA MAIS O UNIVERSO DE DARK

    A grande revelação da 3ª temporada é a de que os dois mundos existentes, que possuem diferentes destinos para cada personagem, são na verdade o resultado da explosão da máquina do tempo que Tannhaus construiu. O cientista fez tudo o que fez - como criar a possibilidade de viajar no tempo - por conta do acidente de carro que matou seu filho, a nora e a neta.

    É interessante refletir sobre a origem dos mundos apresentados na série, incluindo o de Jonas, que acompanhamos desde o início. Todos os eventos que acompanhamos até o desfecho podem ser considerados por alguns espectadores apenas uma "ilusão", um sonho que passou a existir ininterruptamente por muito tempo após o acidente no bunker.

    Portanto, a verdadeira resposta de Dark não é científica, tampouco sobrenatural; ela é baseada na perda, no amor que uma pessoa pode sentir pela outra e na força de vontade que o ser humano é capaz de ter para dar um jeito de não perder alguém importante em sua vida.

    Explicando Dark: As famílias da série

    Quando a revelação vem à tona, Jonas (Louis Hofmann) e a Martha (Lisa Vicari) do mundo paralelo (assim como Adam e Eva, suas versões mais adultas) compreendem que, para todos os ciclos se encerrarem e o apocalipse nunca acontecer, não basta a interrupção de ações já premeditadas ou o seguimento das mesmas.

    A única saída é a dupla retornar ao mundo de origem para impedir o acidente de carro que matou o filho de Tannhaus. A partir do momento em que tudo é resolvido, Jonas e Martha deixam de existir nos dois mundos paralelos. Ou seja: eles nunca sequer existiram no mundo de origem. Ou não? Será isso mesmo?

    Também é importante lembrar da cena em que a dupla atravessa o portal para o mundo original. Ambos os personagens veem versões mais jovens de Jonas e Martha. Ela se lembra imediatamente de que vivenciou este exato momento na infância, o que nos faz pensar: se Claudia afirmou que essas ações são inéditas, como é possível ter essa memória? Será que a lembrança é apenas fruto de um sonho? Falando de Dark, tudo precisa ter uma resposta, mas essa pergunta não é completamente respondida ao público.

    VAMOS FALAR SOBRE A CENA FINAL?

    Dito isso, o plano de Jonas e Martha dá certo e, após uma emocionante cena final - "Somos um par perfeito, nunca duvide disso" -, vemos a dupla se desintegrar, assim como Claudia e as diferentes versões dos dois protagonistas.

    Na cena de encerramento da série, voltamos à casa em que Jonas viveu no outro mundo, só que agora em um universo sem qualquer resquício das viagens no tempo. Em uma mesa de jantar, Katharina, Peter, Benni e Regina estão acompanhados do inusitado casal formado por Wöller e Hannah, que está grávida.

    Pode parecer pouco, mas observar quem está na mesa é importante para determinar quem existe no mundo original e quem não existe. Ulrich, Charlotte, Martha, Magnus, Bartosz, Frankiska e Elisabeth, por exemplo, não estão presentes e suas ausências são completamente justificáveis, visto que Charlotte é filha de Noah e Bartosz era fruto do casamento de Regina e Alexander - cujo encontro só aconteceu graças a Ulrich e Katharina.

    Uma tempestade cai lá fora, tão forte que os personagens brincam que pode ser o apocalipse - apenas como brincadeira, mas ainda assim em um tom que incomoda, pois sabemos que ele poderia muito bem ser real.

    Durante a conversa, Hannah tem uma breve epifania com base em um dèja vu que teve durante o jantar. Após a reflexão de um mundo sem Winden, ela responde uma pergunta sobre qual será o nome de seu bebê da maneira mais esperada e ao mesmo tempo surpreendente possível: "Acho que Jonas é um nome bonito".

    Já que Hannah possui uma vaga lembrança de Jonas - até por conta de olhar a capa amarela enquanto diz o nome do personagem -, fica implícito que ambos os mundos paralelos criados com o acidente existiram de fato. O que pode parecer um sonho muito distante hoje, na verdade aconteceu. 

    O "problema" é que tal afirmação já cria um novo paradoxo. Então, isso quer dizer que a visão que Martha teve de Jonas na infância existiu, e que talvez aquele novo ciclo de retornar ao mundo original já tivesse acontecido outras vezes. A reflexão parece ficar cada vez mais complexa, mas ela faz sentido. Afinal, Hannah não teria a menor lembrança de Jonas se ele não tivesse existido em algum momento.

    O que você achou do final de Dark? Deixe seu registro nos comentários e, depois, leia a nossa crítica com spoilers da última temporada.

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    Comentários
    • Hugo Medeiros
      Isso mesmo. Para mim não há mundo original, é tudo uma versão de um mesmo mundo e vai acontecer tudo novamente. Não há mundo original, apenas a sensação de que se pode mudar algo, que na verdade só pode viver a mesma coisa de diferentes formas.
    • Geovane de Jesus
      É exatamente o que eu penso, até porque se Martha e Jonas não existem, eles não podem salvar o filho do Tanhaus e impedir ele de construir a máquina do tempo que dá origem aos dois mundos. E por isso a resolução do problema acaba virando em si um paradoxo. Aí com o princípio de superposição quântica que é o motivo de o Jonas morrer/viver na terceira temporada, na real todas as possibilidades apresentadas na série existem, uma hora com a realidade onde os dois mundos são criados se sobrepondo, outra hora com a realidade onde o filho do Tanhaus se sobrepondo, exatamente como acontece nas previsões da física quântica. É simples, efetivo e genial, mas também desesperador, porque eles estão pra sempre condenados a sofrer até acharem que conseguiram se libertar, apenas para começar tudo de novo até a Cláudia reaprender o suficiente pra finalizar os dois mundos. Baran e a Jantje se superaram criando paradoxos dentro de outros até chegar nesse ponto, e o final só confirma o que a série afirma sempre: ninguém está livre do tempo, e ele é implacável.
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