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    The Great: Crítica da 1ª temporada da série de Elle Fanning e Nicholas Hoult
    Por Katiúscia Vianna — 16 de jun. de 2020 às 14:26
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    Sátira chega ao Brasil pela plataforma Starzplay.

    Nota: 3,5/5,0

    Grande aposta da plataforma Starzplay aqui no Brasil, The Great é uma versão satírica da ascensão de Catarina, a Grande — aqui interpretada por Elle Fanning, desde sua chegada à Rússia até ela promover um golpe contra seu marido, Pedro III, vivido por Nicholas Hoult.

    Compromisso é uma palavra essencial no mundo audiovisual. Pode não parecer, já que é mais associada com um acordo de negócios ou a pressão de assumir um relacionamento romântico. Mas demanda compromisso atuar, produzir ou construir uma série, por exemplo. Se for de ficção, a pessoa tem que se comprometer a acreditar naquele mundo de imaginação. Se for baseado em história real, tem uma sensação de respeito com as figuras e os fatos originais. Mas o que acontece quando se mistura as duas coisas? O compromisso é ainda maior.

    The Great traz uma narrativa exagerada

    O que o criador Tony McNamara apresenta é um universo singular, aproximando a realeza para uma realidade mais "acessível". Ou seja, por trás das figuras imortalizadas em glórias e fracassos em livros de histórias, elas se tornam pessoas de carne e osso, com (muitos!) defeitos e complexidades. O roteirista fez semelhante com A Favorita, mas aqui parece elevar tudo à máxima potência. O resultado é uma corte de caos, onde copos quebrados ao urros de "Huzzah" se misturam com imoralidades e brutalidades. É um universo mais pesado do que o de Dickinson, por exemplo, que também propõe imaginar como foi a vida de uma figura famosa — ou seja, sem ligar muito para ser uma biografia certinha. Na verdade, The Great também passa bem longe disso.

    Nem sempre seu texto funciona, apelando muitas vezes para palavrões ou piadas com pênis, como se fosse sua marca registrada, investindo numa ironia escrachada que, simplesmente, não tem graça a longo prazo. Da primeira vez, até gera uma risada, mas na quinta, já se torna clichê. Outro defeito surge em seus dois episódios iniciais, que apostam muito no choque de realidade entre o romantismo de Catarina e a imbecilidade de Pedro. Os abusos que a protagonista sofre, tanto físicos quanto mentais, acabam chamando mais atenção do que a sátira em si — podendo assustar um espectador desavisado.

    Uma vez que Catarina passa a jogar o jogo", entendendo sua posição na corte russa, a série vai encontrando seu rumo. Ela é inocente, porém esperta, ambiciosa pelo poder que está nas mãos de seu marido fútil. Ela vai ganhando aliados, se apaixona, recebe lições necessárias de realidade. E esse processo é bacana de acompanhar — mesmo que tenha episódios demais, por isso fica sempre o sentimento que algumas decisões foram tomadas apenas para manter a história fluindo, pois tem um tempo necessário a cumprir.

    Elle Fanning e Nicholas Hoult dão show de atuação

    Dentre exageros em sua narrativa, o que realmente promove o sucesso de The Great é seu elenco. Surpreendendo com um timing cômico excelente, Elle Fanning mistura ironia com drama, criando a heroína ideal, sabendo dosar a inocência e juventude, com sua sagacidade e empoderamento. Ao mesmo tempo, fica claro como Nicholas Hoult está se esbaldando ao encarnar o Imperador. É um papel tão difícil de construir, exigindo infantilidade e ignorância (em seus ambos sentidos), mas ainda assim consegue entregar uma empatia no personagem — a ponto que o roteiro precisa nos lembrar como ele é um brutal e péssimo líder por vezes, para voltarmos a entender por que Catarina precisa tirá-lo do poder. Quando os dois estão em cena, é impossível tirar os olhos da tela.

    Quem também rouba a cena é Phoebe Fox como Marial, uma empregada que já foi lady, mas caiu em desgraça por causa do pai idiota. Ela tem acidez em sua fala e aproveita cada momento que o roteiro lhe proporciona. Outra personagem feminina que impressiona é Elizabeth (Belinda Bromilow), sempre caminhando no meio-fio entre loucura e exatidão. Sacha Dhawan surge bem diferente como um tímido intelectual, enquanto Sebastian De Souza é só charme no papel do amante de Catarina, Leo.

    Em geral, o elenco todo funciona por ter aceitado a proposta louca da série, sem ter medo de se jogar em situações mais ridículas e absurdas possíveis. Acrescente isso com um visual impecável (principalmente nos figurinos que acompanham a evolução de Catarina) e The Great surge como uma opção intrigante. Não é uma maratona fácil, pois seu humor pode ficar cansativo rápido, então conferir de forma mais lenta por ser mais funcional para o público. Afinal, não atinge a sutileza fatal de A Favorita, mas traz algo que você não verá em nenhum outro lugar.

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