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    White Lines: Crítica da 1ª temporada da nova série do criador de La Casa de Papel
    Por Katiúscia Vianna — 20 de mai. de 2020 às 18:01
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    Nova serie da Netflix tenta entregar um mistério, mas se perde no meio do caminho.

    Nota: 2,0/5,0

    Quando você cria um fenômeno de popularidade como La Casa de Papel, as expectativas são altas para seu próximo projeto. É possível imaginar a pressão que o criador Alex Pina sentiu para desenvolver sua nova série White Lines. Dessa vez, ele faz uma parceria com o produtor de outro sucesso da Netflix, Andy Harries de The Crown. Também escalou uma protagonista internacional conhecida em Laura Haddock. E escolheu filmar em alguns dos lugares mais paradisíacos de Ibiza. Mas o recente mistério da plataforma perde um elemento-chave na sua receita, em comparação à série do Professor (Alvaro Morte): empatia.

    A história de White Lines começa quando de Axel Collins (Tom Rhys Harries), 20 anos após desaparecer em Ibiza. Sua irmã mais nova, Zoe (Laura Haddock), decide viajar até lá para investigar o que aconteceu com o DJ. Lá, ela se envolve com os amigos da juventude do maninho e uma família de elite local; num cenário de festas, drogas e sexo — algo bem diferente de sua vida pacata em Manchester, Inglaterra.

    Mistério se perde a tanta reviravolta

    Em sua vantagem, a série realmente apresenta lindas paisagens como cenário, que funcionam como um escapismo da realidade, principalmente diante de tempos de pandemia como o que vivemos atualmente. E o mistério ao redor do "Quem matou Axel Collins?" até chega a ter momentos intrigantes, mas é completamente deixado de lado para a construção de uma novela complicada.

    Para começar, essa deveria ser a jornada de libertação de Zoe, uma personagem presa pelo "abandono" do irmão, o silêncio do pai e a rotina chata do marido. Mas, constantemente, estamos diante de uma mulher indecisa, que vive sendo manipulada por aqueles ao seu redor. A forma de narração (que sempre encontra maneiras bobas para seguir acontecendo) não nos transporta para um ser humano complexo, mas sim carrega uma série de clichês que não adicionam nada para a trama. 

    De longe, o personagem mais interessante é Boxer (Nuno Lopes), braço-direito e capanga da família Calafat, que domina as boates de Ibiza. Ele é um ser todo tatuado, com cara de malvado, mas que ainda apresenta uma visão honesta do mundo. Mesmo sendo capaz de cometer atrocidades, é impossível não torcer para o moço — ainda mais em seu inusitado elo com Zoe, o ponto alto da série. Mesmo assim, esse relacionamento fica preso numa incômoda situação de vai-e-volta, onde problemas surgem a cada momento, só para investir no dramalhão.

    Belas paisagens, mas pouco conteúdo

    Usando a desculpa de Ibiza é um lugar especial onde tudo pode acontecer, as tramas são mais focadas em arcos absurdos ou aventuras sexuais, do que em pleno desenvolvimento dos personagens, que não são auxiliados pelas performances fracas ou pelo roteiro clichê. Assim, o espectador não sente empatia pela maioria das pessoas que aparecem na tela, seja porque Marcus (Daniel Mays) é alguém insuportável, ou por Kika (Marta Milans) ser uma adulta com ações de uma adolescente. Em comparação, o personagem mais desenvolvido ao longo dos episódios é Oriol (Juan Diego Botto), um cara ganancioso e com uma relação incestuosa com a própria mãe. Falar abertamente de tal assunto é até louvável, mas parece ter sido feito somente para aumentar o nível de loucuras que a narrativa pode proporcionar.

    Aliás, seria bom ressaltar que não é porque você investe em várias cenas de sexo que isso te transforma numa série revolucionária. Se elas são sem contexto, sem motivo e sem sentido; só te caracterizam como uma série vazia, mais preocupada em chocar do que criar algo interessante.

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