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    Hollywood: O que é verdade ou ficção na série de Ryan Murphy na Netflix
    Por Katiúscia Vianna — 4 de mai. de 2020 às 11:51
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    Alerta de spoiler... e de uma aula de história!

    Nova produção de Ryan Murphy para a Netflix, Hollywood acompanha como seria a indústria cinematográfica se tivesse investido na representatividade 80 anos atrás. Para os críticos, ela está sendo descrita como uma série de fantasia, mas a história mistura elementos de verdade e ficção. Afinal, se muitos personagens são versões de pessoas reais, o mesmo vale para suas subtramas.

    Depois de listar 10 filmes para entender a Era de Ouro em Hollywood, o AdoroCinema desvenda quais são os mitos e verdades na produção de Murphy e Ian Brennan.

    Meg é mentira, Peg não

    Infelizmente, o revolucionário filme Meg nunca existiu, mas a história que o inspira é verídica. Peg Entwistle foi uma jovem atriz, que chegou a ter um início de carreira bem-sucedido nos teatros de Nova York, mas não encontrou a mesma sorte em Hollywood. Após ter sua participação cortada do filme Thirteen Women, ela não recebia mais propostas de emprego, sucumbindo à depressão e o alcoolismo. Em setembro de 1992, Peg pulou do alto da letra H, presente no letreiro de Hollywood, sofrendo uma queda de mais de 30 metros.

    O posto mais cobiçado da cidade

    A história de Hollywood começa quando Jack (David Corenswet) aceita se tornar um gigolô no posto de gasolina de fachada de Ernie (Dylan McDermott). Essa parte é livremente inspirada na história de Scotty Bowers, que realmente organizava encontros secretos num posto, com celebridades da época, muitas vezes promovendo affairs gays, sem arriscarem suas carreiras. Dentre seus clientes, estão nomes como Cole Porter e George Cukor — algo que aparece na série.

    Como seria a vida de Rock Hudson?

    Um dos únicos protagonistas não-ficcionais da série, o público acompanha o início da jornada de Roy Fitzgerald (Jake Picking) — que, depois, ganharia o nome de Rock Hudson pelo seu agente, o real predador Henry Wilson (Jim Parsons). Na série, vemos como sua carreira seria se ele tivesse assumido abertamente sua sexualidade, mas na vida real, o ator escondeu ser gay, a fim de ter uma carreira em filmes com Doris Day. Inclusive, a cena onde ele erra sua audição, por diversas vezes, é baseada em fatos reais. Ele conseguiu manter uma vida discreta até 1985, quando não pode mais esconder que tinha o vírus HIV.

    Já o abuso que Henry Wilson fazia com seus clientes (além de suas conexões com a máfia) também é inspirado na história real do executivo. Mas se ele encontra uma espécie de redenção na série, a vida foi outra: ele sofreu com álcool e drogas até morrer em 1978.

    Justiça para Anna May Wong

    A triste história onde Anna May Wong (Michelle Krusiec) fez uma bela audição para Terra dos Deuses, só para ver uma mulher branca assumindo o papel de uma protagonista asiática é realidade, com apenas uma diferença — ela só foi chamada para o papel da vilã Lotus, outro estereótipo de vilã chinesa. Também sofrendo de problemas de alcoolismo, ela conseguiu ganhar seu programa de TV até morrer, aos 56 anos de idade.

    E para Hattie McDaniel

    Aqui interpretada por Queen LatifahHattie McDaniel realmente foi a primeira mulher negra a ganhar um Oscar. Infelizmente, também é verdade que ela foi impedida de entrar na premiação, sendo chamada apenas quando perceberam que ia levar a estatueta. Ela seguiu conseguindo papéis, mas sendo escalada para viver personagens estereotipadas. Para recompensá-la, Ryan Murphy fez que McDaniel conseguisse entrar no teatro do Oscar — bem a tempo de ver sua aprendiz, Camille (Laura Harrier) ganhar seu próprio prêmio.

    Como o Oscar realmente foi

    Meg não existiu, logo seus prêmios (e o impacto da indústria) também não. Na real 20ª edição do Oscar, o grande vencedor foi A Luz É Para Todos. Uma mulher negra só iria vencer a estatueta de melhor atriz em 2002, com Halle Berry por A Última Ceia. A primeira mulher a ganhar o Oscar como produtora foi em 1974, com Julia Phillips e Golpe de Mestre. Já um negro faturando a categoria de melhor ator foi apenas dois anos atrás, com Jordan Peele e Corra!. Por fim, a primeira pessoa abertamente gay a agradecer seu respectivo parceiro no palco foi uma mulher: Debra Chasnoff, vencedora de documentário em curta-metragem, em 1992.

     

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