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    His Dark Materials 1x05: Apresentando Will Parry
    Por Laysa Zanetti — 3 de dez. de 2019 às 18:24
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    Nossa análise do episódio "The Lost Boy".

    Atenção! Contém SPOILERS do episódio 5 da 1ª temporada de His Dark Materials, “The Lost Boy”

    Aquele em que você fala: “mas já?!”

    Faltando pouco para o fim da temporada, His Dark Materials faz um grande desvio de rota que pode assustar os fãs mais agarrados à obra de Philip Pullman. Ao mesmo tempo em que Lyra (Dafne Keen) ouve o aletiômetro e desafia todos para seguir em uma missão apenas sua, do outro lado do mundo — ou, melhor dizendo, literalmente em outro universo, somos apresentados a um outro garoto. Senhoras e senhores, conheçam Will Parry (Amir Wilson).

    Na trilogia literária, Will Parry é um garoto que é apresentado somente no segundo livro, intitulado “A Faca Sutil”. A sua apresentação se dá quando ele e Lyra se encontram e passam a trilhar um caminho juntos, mas a versão televisiva mais uma vez opta por uma adaptação que não apenas é bem intencionada como contribui (e muito!) para o andamento da história. Trata-se de uma decisão de acrescenta em termos de ritmo para o andamento da temporada — caso contrário, estaríamos fadados a três episódios seguidos em que, mais uma vez, o grande acontecimento seria Lyra atravessando o norte em busca de seu destino para encontrar Roger e Billy Costa (Tyler Howitt). 

    Em vez disso, “The Lost Boy” encontra uma solução criativa para unir a busca de Lyra pelo seu destino, embora inconsciente, com a apresentação de Will que inevitavelmente precisaria acontecer no futuro. Ao invés de designar o garoto a uma apresentação apressada, a série resolve dedicar um tempo justo a descobrir quem ele é, sua história antes de ele iniciar a sua aventura. O resultado é um Will Parry surpreendentemente doce e, ao mesmo tempo, valente e endurecido. 

    A decisão de adiantar a chegada de Will Parry não apenas constrói uma narrativa paralela em His Dark Materials como também estabelece de vez e sem deixar dúvidas a existência de múltiplos universos. Enquanto o mundo de Lyra é extremamente diferente do nosso, uma realidade quase anacrônica, o mundo de Will é mais modernizado e próximo ao que conhecemos atualmente. O resultado dessa justaposição, para o episódio, é o mais próximo que a série chegou até agora de um episódio fechado e que funciona com uma dinâmica equilibrada com resultados palpáveis. 

    Isso porque, paralelo à apresentação de Will, acompanhamos Lyra em uma jornada imposta sobre ela pelo aletiômetro. Acompanhada de um relutante, mas eventualmente carinhoso Iorek Byrnison, a garota vai até uma vila em busca de um suposto fantasma. O que ela descobre neste lugar é uma criança abandonada, em estado terminal, de quem ninguém tem coragem de chegar perto por medo. Isso porque o garoto, que acaba sendo o próprio Billy Costa, não tem daemon. Isso significa, essencialmente, que ele é uma pessoa vazia. Sem alma.

    O grande problema aq ui é um que His Dark Materials vem enfrentando desde o início: a dificuldade de transmitir o sentimento que liga uma pessoa ao seu próprio daemon. Embora, naturalmente, Pantalaimon esteja sempre à vista e perto de Lyra, a série pouco tem se esforçado para retratar a dor da separação entre essas duas partes de um único ser. Por isso, mesmo que todos os personagens pareçam assustados por Billy estar sem seu daemon, o terror que deveria estar em todos é substituído pelo sentimento de luto pelo garoto ser o filho de Mãe Costa (Anne-Marie Duff). Infelizmente, uma coisa não supre a outra, e ainda que todos consigam entender a dor de Mãe Costa e Tony (Daniel Frogson) pela morte de Billy, o pavor da separação acaba ficando pouco palpável.

    No futuro, essa deficiência da série de entender a intimidade da conexão entre um humano e seu daemon começará a provocar consequências difíceis de serem reparadas, sobretudo porque essa é uma das ligações mais poderosas para toda a saga Fronteiras do Universo. Fica a esperança para que os próximos episódios, que dependem piamente disso, consigam reparar o problema.

    No geral, a decisão de conectar um garoto perdido sem seu daemon em meio a um vilarejo com a história de Will, mais velho do que deveria ser por precisar aprender a ser um adulto cedo demais, funciona narrativamente e é um bom uso das técnicas básicas de narrativa seriada, sobretudo por ligar duas pontas da trama em uma mesma metáfora. Agora que falta cada vez menos para o fim da temporada, é necessário não apenas agilidade mas, acima disso, emoção. 

     
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