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    Santos Dumont: Do céu às telinhas (Primeiras impressões)
    Por Rafael Aloi — 10 de nov. de 2019 às 08:40
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    HBO retrata esse enigmático brasileiro em produção original com seis episódios.

    Alberto Santos Dumont, considerado o pai da aviação, é um dos personagens mais populares da nossa história e, ao mesmo tempo, com uma vida enigmática e misteriosa. É a vida desse herói nacional (pouco conhecido no mundo) que a HBO quer mostrar em sua nova série, Santos Dumont, que estreia neste domingo em 70 países e terá seis episódios.

    Em evento organizado pela HBO, o AdoroCinema conferiu o primeiro episódio de Santos Dumont. Podemos notar nessa primeira hora que o canal investiu bastante na beleza técnica da produção, que traz uma reconstrução do ambiente do fim de século XIX e início do século XX. O canal recriou a maior frota de máquinas criadas pelo gênio (incluindo uma réplica do 14 Bis), o que traz para o espectador um belo vislumbre real de como eram as engenhocas que começaram a dar asas ao homem.

    A trama acompanha a trajetória do aviador, desde a infância nos cafezais de sua família no Brasil até a vida adulta no aeroclube e nos céus de Paris, misturando essas duas linhas do tempo. Nesse primeiro episódio podemos perceber que o pai do aviador terá um papel fundamental na formação de sua persona e, por isso, tantos flashbacks são necessários e importantes.

    Divulgação

    Enquanto na vida de criança vemos algumas interpretações mais plásticas, em sua maturidade, o ator João Pedro Zappa consegue exprimir a aura do vaidoso e genial inventor, e ainda manda muito bem nos diálogos em francês. Aliás, apesar de ser uma produção nacional, espere por muitas cenas legendadas, pois os diretores Estevão CiavattaFernando Acquarone decidiram por manter cada diálogo em seu idioma original, ou seja, nos salões de Paris ouviremos francês, inglês ou espanhol, e pouco português.

    A vida de Santos Dumont sempre foi recheada de mistérios, principalmente em relação à sua sexualidade,  relacionamentos amorosos (os diretores já afirmaran que não vão entrar nessa polêmica, pois não é importante para a história que querem contar) e as razões do seu suicídio aos 59 anos. O produtor Roberto Rios adiantou durante a coletiva de lançamento da série que essa aura enigmática deve ser o tom do personagem. "Ele foi um homem misterioso e enigmático e a gente preferiu mantê-lo [assim]; as pessoas se atraem por ele. O Brasil não fala de seus heróis, os EUA e a Europa fazem isso todo ano. Nós precisamos falar sobre nossos heróis", disse.

    Apesar de todo o apuro visual, falta uma engrenagem mais empolgante nesse episódio inicial. Fica a sensação de estarmos vendo mais a vida de um playboy, que por coincidência é um gênio da mecânica, do que realmente os desafios do grande inventor do avião. Os diretores prometem que até a metade da temporada devemos ver mais cenas de triunfo e brilho de Santos Dumont, e após isso teremos mais conflitos (incluindo a polêmica com os Irmãos Wright sobre quem realmente criou o avião). Pode ser um início ainda burocrático para situar o espectador em seus cenários e personagens. Mas para uma série com apenas seis episódios, seria melhor decolar com mais agilidade.

    Santos Dumont será exibida todos os domingos, às 21h

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