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    Watchmen 1x02: O passado e as autoridades
    Por Laysa Zanetti — 30 de out. de 2019 às 18:24
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    Segundo episódio da série de Damon Lindelof deixa mais pistas no caminho e uma trilha a percorrer.

    Atenção! Contém SPOILERS do episódio 1x02 de Watchmen, “Martial Feats of Comanche Horsemanship”

    Enquanto o primeiro episódio de Watchmen é uma grande apresentação recheada de conceitos complexos implantados para um futuro desenvolvimento, o segundo episódio se comporta como um dia calmo após uma tempestade. Não que ele não seja grandioso e também não plante suas sementes para colher em um próximo momento, mas é um que dá tempo ao espectador para absorver as informações apresentadas antes de mergulhar de vez em algo mais complexo.

    O episódio se inicia logo após o assassinato de Judd (Don Johnson), com Angela Abar (Regina King) liderando as investigações ao mesmo tempo em que confronta o misterioso Will Reeves (Louis Gossett Jr.). Sem acreditar que tenha sido ele o autor do crime — em termos de logística, ela não crê que ele pudesse ter pendurado o corpo do chefe de polícia na árvore, afinal de contas —, ela deixa o homem preso na padaria que usa como fachada para encobrir sua identidade de investigadora, enquanto ouve sem acreditar em suas falações sobre ser o Doutor Manhattan, ter contatos muito influentes e ser mais forte do que as pessoas lhe dão crédito.

    A partir disso, Angela entra em uma investigação praticamente paralela ao seu próprio trabalho. Sem entregá-lo à polícia, ela conduz em um primeiro plano um exame particular da vida de Judd e do próprio Will — para depois descobrir que ela é neta daquele senhor e que seu chefe e amigo pode ser um membro encoberto do KKK — enquanto junto aos colegas da polícia tenta ir atrás da Sétima Kavalaria e das pistas de quem poderia realmente  ter cometido o brutal assassinato.

    A dinâmica em que Watchmen parece estar se assentando neste momento é uma de deixar pistas no meio do caminho para que o público, aos poucos, consiga unir as peças de um quebra-cabeças (um que, felizmente, está longe de ser tão complexo quanto o de Westworld, diga-de se passagem) cujos temas principais são a corrupção na forma de milícias, racismo histórico e a ligação entre as forças falhas do poder e uma sociedade moralmente destruída.

    Esta falha nas forças de poder se repete, em outras instâncias e com outras consequências, na esquina da história que está ligada a quem acreditamos ser Ozymandias — ou seja, o personagem de Jeremy Irons. Estamos de volta ao seu castelo isolado em pomposo, dessa vez vendo os ensaios de sua peça, The Watchmaker’s Son. O que parece ser uma produção pobre e sem objetivos logo se prova uma ideia bastante ambiciosa do homem que, se confirmado ser Adrian Veidt, jamais iniciaria um plano sem saber onde este irá chegar. Não apenas o homem que é queimado dentro da câmara é realmente queimado e levado à morte, mas também descobrimos que todos os seus empregados são clones. E se você está se perguntando o que isso significa, quem são estes clones e até onde esta história irá chegar, acredite que não está só.

    Mas entre a descoberta das dezenas de clones de Phillips, do primeiro vislumbre de American Hero Story, a série dentro da série que deverá contar a história dos Homens-Minuto e começa com um episódio sobre o Justiça Encapuzada, Judd supostamente ser parte do KKK e a estranha salvação de Will no final do episódio, a segunda hora de Watchmen faz um grande esforço para soar como um elemento único e distinto, algo que o primeiro episódio faz com muito mais facilidade. A grande junção de tantos elementos não funciona muito a favor do episódio, mas ao mesmo tempo deixa um recado bastante claro em relação ao que a série está dizendo sobre as forças autoritárias: definitivamente não estamos diante de uma série a favor do abuso de poder.

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