Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Edital com séries de temática LGBTQ+ é suspenso após ataques de Bolsonaro
    Por Laysa Zanetti — 21 de ago. de 2019 às 18:10
    facebook Tweet

    Bloqueio vem após críticas em tom de censura feitas pelo presidente.

    Após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado, na última semana, o veto a projetos relacionados à pluralidade sexual e de gênero de terem recursos captados na Ancine, uma nova medida põe em risco o fomento a obras nacionais. O governo suspendeu nesta quarta-feira (21) um edital que selecionava séries para serem exibidas nas TVs públicas, e entre as categorias de investimento havia projetos com temas LGBT.

    A portaria, assinada por Omar Terra e publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, prevê que o edital fique congelado por 180 dias, podendo se estender posteriormente por igual período. A justificativa é que houve "necessidade de recompor os membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual — CGFSA".

    Após o anúncio da suspensão, o Secretário especial de Cultura, Henrique Pires, anunciou que deixará o cargo, em protesto contra a imposição de filtros na cultura.

    Em relato feito à Folha de S. Paulo, Pires afirmou que a suspensão do edital foi "a gota d'água", após várias tentativas do governo de censurar projetos culturais. Os comentários feitos por Bolsonaro em sua live semanal no último dia 15 estão entre tais tentativas.

    "Ficou muito claro que eu estou desafinado com [Terra] e com o presidente sobre liberdade de expressão", disse o Pires ao jornal. "Eu não admito que a cultura possa ter filtros, então, como estou desafinado, saio eu".

    Divulgação
    Imagem do curta Afronte

    Entre as obras citadas nominalmente por Bolsonaro estavam Afronte, versão seriada do premiado curta-metragem de Bruno Victor Santos e Marcus Azevedo, e além de Transversais, de Allan Deberton sobre a vida de cinco transexuais no Ceará, Religare Queer e O Sexo Reverso.

    A API, Associação de Produtores Independentes do Audiovisual, emitiu uma nota a respeito: "Repudiamos tal atitude pois entendemos que não cabe a ninguém, especialmente ao presidente de uma república democrática, censurar arte, projetos audiovisuais e filmes". Os diretores e produtores dos projetos mencionados por Bolsonaro também emitiram notas abertas de repúdio à decisão.

    Embora o governo utilize o termo "intervenção", o veto pessoal do presidente corresponde à definição de censura, de acordo com o dicionário: "Restrição, proibição ou modificação de obras informativas, literárias, teatrais, cinematográficas, de artes plásticas ou de cultura de massa segundo critérios morais, políticos, religiosos".

    Bruno Victor Santos afirmou ao Correio Braziliense: "Ele é extremamente ignorante ao pensar que filmes como esse, que falam sobre nós, não deveriam ser produzidos. [...] Se o racismo fosse levado a sério no Brasil não teríamos um presidente como esse. Falta ele estudar. O cinema está aí para refletir todas as realidades”.

    facebook Tweet
    Pela web
    Comentários
    • Rubens
      Isso aí... Ninguem proibiu coisa alguma. Se alguem quiser fazer esse tipo de producao, que procure financiamento privado ou faça com o seu proprio dinheiro. Nao ha nada que impeça. So nao pode é gastar dinheiro público com isso.
    • Rubens
      AONDE que existiu censura?... Ate onde sei, *ninguem* proibiu essas producoes de serem feitas, elas apenas nao serao feitas usando dinheiro publico, nem exibidas em emissoras publicas.Se alguem quiser fazer, que busque financiamento privado ou faça com o seu proprio dinheiro, uai!... Por que tem que mamar nas têtas do g*verno e usar dinheiro do contribuinte brasileiro?....
    • Elizabeth
      Parabéns Presidente Bolsonaro!! vamos usar o dinheiro público com coisas importantes e necessárias a população...
    • Luffy
      Po que chato.
    • Maíra Mee Silva
      Boa matéria. É censura mesmo e visa dificultar a vida de uma parcela importante da população, justamente uma uqe é mais vulnerabilizada pelas idéias preconceituosas e opresssoras.
    Mostrar comentários
    Back to Top